4/21/2015

A solidão de estar contigo.

Leonor
Cresci a querer ser mãe.
Fazia contas em papelinhos, jogos da agulha e imaginava quantos filhos teria, com que idade, os nomes. Sempre achei que esse seria o grande papel da minha vida. 

Tinha uma ideia idílica sobre ser mãe. Eu e o bebé, num quarto branco, numa cadeira de baloiço, música de fundo, um prato com queques e chá e o mundo inteiro feliz à minha volta.
Tinha ideia de que nunca mais estaria sozinha assim que tivesse um filho.

E nunca mais estive.
Zé Maria

Com muitas amigas a serem mães ao mesmo tempo que eu, apercebi-me da enorme solidão que é ter um recém nascido.

Chorei muito no pós parto dos meus filhos mas nunca me senti deprimida mas algumas (muitas) vezes perdida, desorientada e ansiosa. Estive sempre feliz e tranquila quanto baste. Emocional, hormonal e tudo aquilo a que tinha direito.

Os primeiros tempos  não queremos lá ninguém, mas não queremos estar sozinhas.
Não queremos ajuda mas precisamos dela. Não queremos que os tirem da cama a dormir, não queremos que nos digam que têm fome - dizem sempre que têm fome.
Não queremos que opinem sobre as nossas maminhas, o nosso leite, se temos, se não temos, se devíamos dar biberon ou se o leite da mãe é que é bom. Não queremos que nos digam que são cólicas, que é frio ou calor, que precisa de colo, que tem que aprender a dormir sozinho, que vai ganhar manhas, ficar mimado e depois vais ver.

Não queremos que falem.
Nos primeiros tempos queremos ser nós e o pai.

Mas a verdade é que muitas vezes nos sentimos sozinhas. Queremos que alguém nos diga que estamos a fazer bem. Que é assim que se pega, que estamos a dar bem o banho, a limpar bem o umbigo. Que apesar de sermos mães há 5 dias, somos boas mães. Que ele não tem fome e que o nosso leite chega, que parecemos cansadas e se precisamos de alguma coisa. Precisamos mesmo de uma mão, de uma ajuda, de um ombro se for preciso, de uma palavra, de um telefonema, de um abraço.

Ter um filho é muito solitário. Amamos o nosso bebé como nunca amámos nada nem ninguém e sabemos que todas as mães passaram pelo mesmo mas não pelo mesmo que nós. E isso é tudo.

No meu tempo era assim, lá em casa passam logo para o quarto deles, só se dava de mamar de um peito, eu ponho a dormir de lado, eu ponho a dormir de barriga para cima.

O que temos em comum é querer o melhor para eles, todas as mães.

Estamos com o nosso bebé e o que sentimos é que ninguém faz a mínima ideia do que estamos a passar, seja bom ou mau (menos bom). É nosso. É da nossa família, da nossa casa.

Ser mãe de um recém nascido é absolutamente solitário.
Um dia passa. Rapidamente passa, quando se encontra a dinâmica, se ganha o ritmo, se conhece o bebé, se define a logística.
Até lá é o nosso bebé e nós. E estamos sempre juntos. Mesmo que um se sinta muitas vezes sozinho.

|Dedico este texto a duas mães que adoro: a minha e a do meu marido. À minha irmã. E a duas amigas: a Inês, que é uma mãe sem palavras e a Nana que acabou de ser mãe outra vez.|

28 comments:

  1. Q verdade tão verdadeira...sem tirar nem pôr! É mesmo isto tudo...e é tão, mas tão intenso que faz chorar...mesmo sem estarmos deprimidas.

    ReplyDelete
    Replies
    1. É mesmo Aida. Um grande beijinho e obrigada.

      Delete
  2. Parabéns sinceros pelo texto... Emocionou me mt...

    ReplyDelete
  3. Muitos parabéns pela sincero e verdadeiro texto. Ser pai de um recém nascido é solitário mas é uma solidão tão compensadora tão especial ao dias passam num piscar de olhos entre choros, risos, birras e mimos olhamos a nossa volta e no final do dia sentimos mais sozinhos pois na retrospetiva do nosso dia nada fizemos e estivemos sempre no nosso mundinho com o nosso bebe . é injusto a velocidade com que o dia passa é injusto a velocidade com que estes momentos bons se dissipam tao depressa. Mas esta solidão é tao compensadora e tao boa, esta solidão da nos vontade de ser mais e melhores para este pequeno ser que tanto depende de nós. Ser pai é assim mesmo viver todos os dias com o coraçao a bater fora do peito uns dias mais solitários que outros porem sempre abençoado.

    ReplyDelete
  4. Por momentos pensei que estavas a falar de mim...parece que todas passamos o mesmo e que não sou a única triste que até as enfermeiras do centro de saúde chamou para chorar e desabafar e ouvir aquelas palavrinhas sagradas que tu descreves...Guardo no meu coração todos aqueles que me disseram as palavras certas na hora certa. Chorei um rio inteiro...agora riu-me...a experiência ajudou-me no segundo filho mas as hormonas pregaram-me uma partida na mesma...Já passou ;)

    ReplyDelete
    Replies
    1. As hormonas fazem sempre metade do trabalho! :) Um beijinho e obrigada!

      Delete
  5. Revejo-me em muitas das suas palavras... O que me custou mais foi as visitas e a familia, a forma como sem se aperceberem desvalorizam tanto o papel da mãe, basta por exemplo deixar dar de mamar que na mente de muitos o nosso bebé deixa de precisar da mãe... Enfim.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Há sempre opiniões. Acho que com o tempo vamos aprendendo a não ouvir ou a respeitar opiniões e a filtrar as importantes, que também as há. Um beijinho e obrigada.

      Delete
  6. Engraçado como me revi em todas as suas palavras! Com o decorrer do tempo aprendemos a deixar de valorizar e de "ouvir" certos e determinados comentários que não nos fazem bem e que poderiam ser evitados! Mas quero acreditar que as pessoas que o fazem não o fazem com intenção de nos magoarem, mas que muitas vezes poderiam pensar antes de falarem e de comentarem certas coisas...! Até porque nós como mães fazemos o melhor que conseguimos e sabemos e no início o que precisamos realmente é de alguém que nos valorize e reconheça como mães e não que passem a "vida" a opinar sobre o que não devem!...
    Obrigada pelo texto fantástico que escreveu e que nos faz perceber que afinal não somos as "únicas mães no mundo" que sentem tudo isso!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Também acho que as pessoas não fazem por mal, na maior parte das vezes acham que nos estão a ajudar. E acho também que se não estivéssemos tão sensíveis nem ligávamos a metade. :)

      Delete
    2. Sim, isso também é verdade.. as hormonas põe-nos "doidinhas"!.. ;)

      Delete
  7. Senti-me a ver ao espelho. Obrigada pela coragem das suas palavras!

    ReplyDelete
  8. Estou a viver tudo isto agora pela segunda vez e sinto que a exigência é maior! Esperamos tanto de nós que os comentários de terceiros tornam-se facadas no nosso coração. Damos tudo, mas toda a gente opina e esquece-se de elogiar! Já desisti de me justificar, é assim porque quero que assim seja! Mas às vezes não é fácil!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Também achei muito maior Filipa... Estar disponíveis para o primeiro e não falhar ao segundo. Achei mesmo muito duro. Um beijinho e boa sorte para tudo!

      Delete
  9. Obg por este post, por saber q n sou a unica a sentir me assim.... sozinha às vezes. É bom mas tao dificil.

    ReplyDelete
  10. Tal e qual! Parabéns pela escrita. Beijinhos de felicidades!

    ReplyDelete
  11. Tal e qual! E pena mesmo é que tudo passe tão depressa! Muitos parabéns pela coragem de escrever o que muitas vezes sentimos mas não conseguimos expressar! Beijinhos

    ReplyDelete
  12. Tal e qual! E pena mesmo é que tudo passe tão depressa! Muitos parabéns pela coragem de escrever o que muitas vezes sentimos mas não conseguimos expressar! Beijinhos

    ReplyDelete
  13. Vivi tudo isso sem o pai, sem a minha Mãe, sem ninguém perto por perto.
    Eu e ele e ele e eu. E o gato. Felizes!
    Hoje, anos depois, de família construída, ele tem uma menina,eu com o meu menino, a ver se ganho coragem de repetir a experiência, desta vez em cumplicidade, amor e apoio. Só pode correr bem, não é?
    Bjinho *

    ReplyDelete
  14. Tal e qual, sem tirar nem pôr!

    ReplyDelete
  15. Tão verdade. 😃❤️ E quando os nossos bebecas espirram (porque é assim que se assoam) e dizem logo "está constipado"!! Felicidades.

    ReplyDelete
  16. Obrigada pelo testemunho...Eu vou para esta segunda viagem em julho...e já percebi a dificuldade de nao conseguir dar o q gostaria à primeira...E uma verdadeira angústia e a minha terapia passa por me inspirar nestes testemunhos tao verdadeiros...obgda a todos....

    ReplyDelete
  17. Obrigada pelo testemunho...Eu vou para esta segunda viagem em julho...e já percebi a dificuldade de nao conseguir dar o q gostaria à primeira...E uma verdadeira angústia e a minha terapia passa por me inspirar nestes testemunhos tao verdadeiros...obgda a todos....

    ReplyDelete
  18. É mesmo isso, sem tirar nem pôr... Pelo menos lá por casa foi assim...

    ReplyDelete