5/05/2015

A mãe que eu sou.

Antes de ter filhos queria ser um tipo de mãe. Tinha, aliás a certeza que ia ser um determinado tipo de mãe.

Não sou. Sou uma mãe completamente diferente do que me imaginei ser.
Sempre soube que ia amar os meus filhos. Mas imaginava-me mais desligada. Talvez por não conhecer este amor.

Imaginava que os ia deixar muitas vezes em casa dos avós e que os fins de semana a dois seriam pelo menos uma vez por mês. E que ia jantar fora e ao cinema pelo menos uma vez por semana. Provavelmente também me imaginava rica. 

Imaginava que não me ia custar zangar, nem dar uma palmada caso fosse preciso, nem pôr na ordem e que "os filhos são uma coisa muito bonita mas nunca me hei-de pôr depois deles". Imaginava que eles seriam importantes, mas não o mais importante. Que seriam a minha vida, mas não o centro dela. Imaginava que seriam amados, mas não assim.

O tempo de gravidez preparou-me para muita coisa, para organizar a casa, para compor o armário, para comprar cremes, para ler uns livros, para saber que não ia ser fácil mas que ia ser tão bom, para poder apenas supor.

Mas nada me preparou para o amor.

Nada me preparou para o avassalador que isto é. Nada me preparou para viver cada dia, desde que ouvi a minha filha chorar pela primeira vez, completamente apaixonada e dedicada a estas miniaturas que nascem de mim.

O amor que sinto pelos meus filhos é ridículo de tão gigante. É maior do que aquilo que sou e do que aquilo que pensei ser possível.
É tão grande que dói e é tão grande que nem se pode pensar muito nisso.

É um amor que precisa de ser absolutamente doseado e controlado.

Quando caem e se magoam, quando choram, quando estão tristes, quando não conseguem dormir, não comem nada, quando não querem ir à escola, quando não conseguem desenhar uma bola, calçar as meias, subir sozinhos para a cadeira, pôr os ganchos no cabelo, beber água do copo.

Se este amor não for controlado eles não caem, não choram, não vão à escola, não aprendem a ler nem a escrever, nem a comer sozinhos. Este amor, às vezes tem que se afastar para que sejam independentes.

É um amor que toda a gente sente pelos seus filhos mas que ao mesmo tempo achamos ninguém entender. "Ninguém gosta tanto dos meus filhos como eu". É um amor que está sempre a crescer e que é incondicional e esquizofrénico e que não tem nada de egoísta nem de duvidoso. É um amor puro. Absolutamente puro. E tão bom.

A mãe que eu sou é uma mulher que descobriu um novo amor. Este amor que se tem pelos filhos absolutamente inexplicável e único. Que os quer ver crescer e para sempre pequeninos, que se orgulha quando conseguem desenhar a bola sem ser na perfeição, que se emociona quando calçam as meias pela primeira vez e dão pulos de alegria. Que os abraça se caem e diz que já passou, que os ama quando entornam o copo inteiro no chão mesmo depois de termos dito para beber com cuidado. Que depois de um dia de birras, desarrumações e caos só os quer ver na cama e assim que adormecem só os quer acordar para começar tudo outra vez.

A mãe que eu sou não estava preparada para este amor paciente, constante e infinito, tem medo deste amor mas abraça-o, a cada dia que passa, vive-o e sente-o. Às vezes até demais.

4 comments:

  1. Adorei! Identifico-me tanto!
    Ainda bem que há Mães com o dom da palavra para conseguirem descrever o que vai na alma das outras Mães. Bjs
    Mafalda Furtado

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    1. Eu é que adorei o comentário. :) obrigada.

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