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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Chegar à praia como se nada fosse

Quando chegamos à praia estamos de sorriso na cara.
Tiramos logo os sapatos para sentir a areia e correr se for preciso. Escolhemos o sítio e estamos felizes por ali estar. Como se chegar ali tivesse sido só isso, chegar ali.

Mas para chegar ali como se nada fosse deixou para trás um cenário de verdadeira guerra.

Nada foi preparado de véspera. Erro número 1.
Nem toalhas, nem fatos de banho, nem chapéu de sol que estava na arrecadação, nem roupas, nem almoço, nem mochila de brinquedos, nem saco da praia.

Acordámos todos às 9 da manhã - erro número 2.
Gerir estes erros com pequeno almoço, passear o cão, vestir filhos, experimentar fatos de banho, biquinis, desistir, irritar-me, levar um que comprei grávida (juro), besuntar de creme, controlar birras e dedos nas fichas, natural impaciência natural e sono, é um verdadeiro desafio (por isso é que chegamos com aquele ar de guerreiros à praia. Conseguimos!).

E depois é solta-los que fazem o resto e podem andar livres. Quer dizer, semi livres.

O meu lado da família tem uma forte tendência para problemas de pele, eu já tive os meus sustos e morro de medo do sol. Por isso, sou das chatas que põe quilos de creme antes de sair e durante a praia. Ele andou metade do tempo de t-shirt e a outra metade achei por bem tirar porque estava encharcada e ia ser pior a emenda que o soneto.

Já fomos para a praia tarde e isso impede-me de estar absolutamente descontraída. Não gosto que estejam na praia à hora do calor mas tivemos cuidado e não desiludimos a Leonor que sonhava com este primeiro dia de praia.

Mustela protecção 50 +
que usei também em mim.
O meu filho não é branco,
é transparente.
Ao longo do tempo que vamos estando, reponho o creme sempre que me lembro e vou pondo o chapéu assim que o cabelo seca. Não quero ser obcecada e quero que aproveitem bem a praia e que saibam que o sol é bom e preciso.
Mas só nos têm a nós para garantir que estão protegidos e por isso, e tendo eu toda a informação que tenho do meu dermatologista, faço tudo para que não apanhem sol a mais.
Mesmo assim, e apesar de termos saído à hora do calor não houve escaldões e chegaram a casa impecáveis, o que para mim é um enorme descanso.

Sobrevivemos à logística de lá chegar e valeu muito a pena. Dia lindo, sol não muito quente, água (pelo que me contaram) excelente e família verdadeira e genuinamente feliz, apesar dos erros!

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