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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Fui correr.

Ontem às 06:10 das manhã o meu despertador tocou.
Nunca pensei escolher acordar tão cedo mas a intenção era boa. Correr. 
Ainda não sei verdadeiramente correr e estou a aprender.  Velocidade,  respiração,  gestão de esforço,  passada.
Fui sozinha e fui o tempo todo a agradecer por viver neste país e nesta cidade que logo pela manhã é ainda mais incrível.
Há muita gente a correr junto ao rio antes de ir trabalhar e até passou por mim um amigo,  na bisga, a quem lancei um meio sorriso,  envergonhada pela minha corrida de caracol.
Mas tem que se começar por algum lado e eu adorava um dia conseguir participar numa competição oficial e chegar a uma meta, seja ela qual for.
Ontem foram 5km. Felizes. E bons.
Cheguei a casa cheia de energia e contente por ter vencido a preguiça.

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