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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente parte daq…

Quem és tu e o que fizeste ao meu corpo? (impróprio para grávidas)

2009
Ter um filho é o melhor do mundo. Antes de termos filhos não sabemos (mesmo) que é assim tão bom. Que nos preenche de maneiras que achávamos impossíveis, que nos completa e nos acrescenta de formas inexplicáveis, que somos melhores porque eles existem.

Quando engravidei pesava 55 quilos. Engordei 17 (talvez mais, porque a minha querida obstetra me
livrou das últimas pesagens o que provavelmente acrescenta uns quilos à equação). Não me apercebi deste aumento de peso, não tive cuidado nenhum e fui absolutamente feliz nesta gravidez, comendo tudo aquilo que me apetecia.

Quando engravidei do meu segundo filho tinha 60 quilos, mais ou menos o que peso hoje e engordei cerca de 10. Tive muito mais cuidado ou se calhar, muito mais medo.

Em quilos até recuperei mais ou menos bem mas o que muda no nosso corpo é um choque para a maioria de nós.
Primeira gravidez: 7 meses
Estrias, queda de cabelo, mudanças na pele, maminhas estranhas, postura, ancas mais largas, barriga, alteração da visão, dentes piores, pés que aumentam de tamanho... Já para não falar nas mudanças internas que também as há.

Primeira saída com a Leonor.
 6 dias depois de nascer
Seis meses depois de termos filhos começa a ser obrigatório estarmos fisicamente bem. É o esperado. A realidade é que quando temos filhos estamos voluntariamente e sem queixumes em segundo lugar. É a ordem natural das coisas. Queremos estar bem por fora, claro. Mas falta-nos tempo, tempo, tempo, dinheiro e muitas vezes, cabeça e vontade.

Sim, podemos fazer caminhadas todos os dias que não se paga mas às vezes não queremos. A casa está por arrumar, a noite anterior não foi boa, temos preguiça porque também temos direito a tê-la, estamos cansadas, voltámos a trabalhar e já não há energia para tudo e muito menos para tudo ao mesmo tempo.

Segunda gravidez: 7 meses
A verdade é que as mudanças são tantas que nem sabemos por onde começar. Tudo é novo. Um bebé novo e um corpo novo é claramente muito para gerir. Há pressão a todos os níveis e muitas vezes é demais tentar tudo ao mesmo tempo. Querer ser magra, estar em forma, ter uma casa organizada, um bebé alimentado, feliz, vida conjugal em harmonia é uma gestão que na maioria dos casos, não começa logo. Já para não falar da fome.

Temos que dar tempo ao tempo e não ser exigentes, mesmo que o resto do mundo seja. Querendo, as coisas acabam por acontecer, mais ou menos devagar. Com mais ou menos esforço, mais ou menos dificuldade.

Os primeiros tempos são de organização, mental acima de tudo. Organização da logística e namoro com o bebé.

Na maior parte dos casos (vénia às mulheres que se mantêm iguais), o corpo vai ficar diferente, passou por alterações bruscas e violentas, fez crescer e nascer um filho ou mais, esticou, às vezes amamentou.
A dureza pela qual o nosso corpo passa é compensada pelo filho que temos nos braços e é por isso que a natureza é perfeita.

Ao princípio vamo-nos importar menos com os quilos a mais e estar mais focadas no que nos parece importante, o resto há de chegar. Claro com esforço, claro com persistência e claro com vontade.
Mas sem pressão, nem culpa.

Comentários

  1. Nao se pode ter tudo ... é mesmo assim. O que importa é termos o nosso bebe de saude ao nosso lado , o resto vai com o tempo!

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