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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Coisas de irmãos.


Quando vejo os meus filhos à luta, a gritarem um com o outro, a perderem a sua mini paciência de 1 e de 4 anos, às vezes deixo estar.
Afasto-me e vejo como se resolvem. Como se orientam. Que papel tem cada um.
Intervenho claro se é preciso mas afasto-me muitas vezes para ver.
Quero mesmo que sejam irmãos, se é que isto faz sentido. Quero mesmo que gritem, que chorem, que se odeiem e que se adorem.
Quero que criem uma relação tão próxima que um dia me mintam, se unam contra mim e se defendam um ao outro, sempre.
Quero que se batam tanto que estejam dias sem falar e que depois falem, gritem, se chamem nomes e digam tudo o que têm a dizer.
Quero que se abracem, que dêem beijinhos sem vergonha, que conversem e que se aproveitem.
Quero que não haja cerimónias. Nem paredes. Nem reservas.
Ter um irmão é das maiores sortes que a vida nos dá.
Podemos crescer na nossa meninice, na nossa juventude e na nossa adolescência, sempre acompanhados por alguém que vive ou vai viver o mesmo, que nos pode apoiar e ridicularizar quando temos dramas.
E nunca estamos sozinhos.
Quando vejo os meus filhos serem irmãos, cúmplices, amigos, gosto de me afastar. Gosto de ver ao longe essa amizade e agradecer.
E também pedir que se mantenham sempre assim, mesmo que um dia julguem que não são assim tão importantes na vida um do outro.

Comentários

  1. Eu não tenho irmãos mas sei com o coração que é, de facto, uma das melhores coisas que podemos ter na vida. Sempre quis muito um irmão e esquecer um pouco a mágoa que tenho de não ter um, é uma das metas da minha vida. :P
    Por isso quero muito que a minha filha tenha um irmão e viva tudo o que descreve no texto. Acho que também vou querer observá-los de longe e interferir o menos possível na relação deles. Acredito que assim funciona melhor e assim poderão aproximar-se muito mais.

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  2. Lindo texto :) Tenho 4 irmãos e sei que é um dos tesouros mais preciosos da minha vida. E sei que a minha filha um dia também vai saber!!

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