10/26/2015

Decidir por eles

Assim que engravidamos já estamos a decidir.
Decidimos trazê-los ao mundo. E trazer uma pessoa ao mundo é a primeira pressão que um pai sente.
A partir de ali, tudo está nas nossas mãos.
Como cuidamos deles durante a gravidez, se tomamos as vitaminas todas, se comemos como deve ser, onde nascem, como nascem, se bebem biberon ou leite da mãe, se comem fruta biológica ou o que houver no frigorífico e no bolso, se são baptizados. Se vão para a escola, se ficam em casa, se vão ter irmãos, se têm castigos e quando têm castigos.
E a lista continua até os filhos serem adultos o suficiente para decidirem por si mesmos.
Passamos a vida a decidir por eles. A roupa que vestem, o cabelo que usam, as horas dos seus dias, os amigos, as festas a que vão, o que fazem depois da escola e ao fim de semana.
Os minorcas andam à mercê do nosso bom senso e nem sempre somos sensatos. Decidimos o seu futuro, o seu percurso e vivemos com a responsabilidade gigante de os guiar da melhor forma, de os orientar no melhor caminho, de os rodear de coisas boas, pessoas boas, escolas boas, roupas boas, comida boa.
Queremos que cresçam felizes,  com saúde,  amigos, resolvidos, confiantes,  tranquilos e para que assim vivam há decisões que têm que se tomar. Umas fáceis,  outras nem por isso.
Dependem de nós em todos os passos e das nossas escolhas.  Acreditam que faremos sempre o melhor. Aliás,  nem pensam nisso, vivem no privilégio da sua ingenuidade no mesmo barco e vão,  para onde formos. A acreditar.
Decidir pelos meus filhos, seja aquilo que for é o maior conflito interior que tenho, onde mais vezes duvido, receio, e quando mais vezes me sinto ainda criança. Tomar grandes decisões que influenciem ou possam influenciar o seu futuro tira-me o sono, acelera-me o coração e transforma-me numa criança de 12 anos.
Tenho que me lembrar que cresci, decidi ser mãe e que se eu estiver certa de que estou a fazer o melhor que sei e posso e ponderar, sempre,  todas as opções,  então eles estarão bem e confiantes.
Decidir por eles é definitivamente a prova do que é ser mãe para além do amor e do colo e do mimo. É uma tarefa paralela, da qual eles não se apercebem nem ligam.
Uma responsabilidade gigante que vai para lá do coração e que às vezes, muitas vezes nos custa carregar. 

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