O que é que as mães querem?

Ontem perguntei na página de Facebook e em dois grupos de mães o que preferiam. Se estar em casa com os filhos, se ter um part-time, ou um emprego a tempo inteiro com ajudas.
162 mães responderam, acho eu porque este é um assunto base de todas as famílias.
Quando temos filhos temos obrigatoriamente que escolher.
De pesar todas as alternativas, de considerar carreiras, ordenados, logística, tempo, distâncias.
O que percebi de todas as respostas é que toda a gente quer mais tempo com os filhos. Gosto de pensar nisto como uma coisa boa.
A maioria das mães respondeu que idealmente teria um emprego em regime de part-time. E acho que isso diz muito. Manter uma carreira e ter tempo para os filhos não é fácil. E fazem-se inúmeros sacrifícios.
Infelizmente em Portugal não existe a filosofia part-time na maioria das empresas, na maioria das profissões. Sair às cinco da tarde é considerado part-time e não é propriamente bem visto. As ofertas em regime part-time são muito mal pagas e em áreas muito específicas.
Esta opção é vista como o melhor de dois mundos para muitas mães que responderam e para mim é lógico que se queira contribuir para a casa, que se queira independência financeira, que se consigam dobrar as meias e que se brinque com os filhos. Só em Portugal - e não sou de dizer mal do meu país - é que trabalhar muito significa trabalhar bem.
Acredito que existam empregos - e lido de perto com isso - em que as horas pouco signifiquem e o tempo seja o que é preciso para terminar assuntos mas na maioria das vezes é um ciclo que faz muito pouco sentido.
Começamos a trabalhar tarde, a produzir tarde, e chegamos a casa mais tarde do que devemos e às vezes do que precisamos.
Se isto é tão simples e tão lógico, então porquê?
Mães felizes e trabalhadoras, a contribuírem para a riqueza e produtividade do país e para a sua própria concretização não é melhor do que mães nervosas com o tempo, com as horas, com o dinheiro, com o amor?
Obrigada a quem respondeu. Às mães que estão em casa com os filhos é um trabalho duro e que devia ser mais considerado. Apesar de todas as compensações pessoais (nossas e dos filhos) às vezes sabia bem que de fora fosse tão bem visto como é sentido.
Às mães que trabalham de manhã à noite, sinceramente, são as minhas heroínas.
Um beijinho a todas e obrigada outra vez.

Comments

  1. Vivo com esse "drama" todos os dias. Quatro miúdas, um trabalho, uma casa e uma logística apertada. Quando digo que há dias que saio as 16h ou ate as 14h30 para ir levar uma ou duas ao medico é porque não faço nada! Muitas vezes quem me olha de lado são pessoas próximas! Hoje em dia vivo melhor com isso, aprendi a impor-me no trabalho, porque também me é permitido, e consigo gerir o meu horário! Mas continuo a achar que teria mais tempo de qualidade com as minhas filhas se saísse a hora de almoço e fosse fazer aquelas tarefas todas que tenho que fazer e quando as fosse buscar o tempo era outro!
    Gostei muito do texto, acho que as mães são todas umas heroínas! Só por nos preocuparmos em dar o nosso melhor, fazemos de certeza o melhor! <3
    Beijinho querida Mariana

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  2. Concordo com cada palavra deste texto. No nosso país, infelizmente trabalhar muito significa sair tarde do trabalho e estar sempre disponível, o que está profundamente errado. para não falar das mulheres que voltam da maternidade e vêm os seus lugares ocupados e têm que redefinir o seu papel na empresa (muitas vezes com prejuízo para elas).
    Ser mãe parece que é punível na nossa sociedade. Quantas vezes vejo mulheres que andam nas empresas com os filhos de 2 meses debaixo do braço só para garantir que o seu lugar ainda não está ocupado por outra pessoa.
    E o pior, é que muitas vezes as mulheres são criticadas por outras mulheres, também elas mães. Quantas vezes, enquanto trabalhei 6 horas por estar a amamentar, ouvia um sonoro "Já?!!!" cada vez que saia? Ou um "Ainda?!" quando dizia que, após os 6 meses da minha filha, ainda a estava a amamentar.

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