5/09/2016

Bebé da mãe


Li este texto do Pediatra Mário Cordeiro a propósito das nossas vidas, das vidas para as quais arrastamos os nossos filhos, sem muitas vezes termos outro remédio, para as correrias, para o cada vez menor número de filhos que temos e foi aqui, neste assunto, que parei e foi este o tema que me fez reler várias vezes o artigo.

Estamos a abebezar os nossos filhos ao mesmo tempo que os queremos crescidos. A infantilizar os poucos filhos ou o único filho que temos porque pode ser o único. Poderemos ter só um, só dois. Ou só um número que não corresponde à nossa vontade real.

Leonor
Estou a caminho do terceiro filho e hoje mais do que nunca, dou por mim a olhar para os meus filhos como pequeninos.
Ela terá quase 5 anos quando a irmã nascer e sinto que é muito pequenina para ter dois irmãos abaixo dela. É uma espécie de sentimento de culpa - sim, eu sei que ter irmãos é a melhor coisa do mundo - que não me deixa nem quer que cresça já. A verdade é que ela, muitas vezes, é quem precisa mais de colo, mais de mimo, mais de atenção. E sei que dar-lhe tudo isso, não é infantiliza-la mas amá-la mas quando me deito à noite, quando lhe dou um beijinho antes de dormir, quando estamos as duas no mimo, ela é de facto o meu bebé. Apesar dos seus quase 5 anos (como se isso fosse muito)

Quer ser crescida, vai tendo a sua independência em pequenas grandes coisas, no discurso, nas coisas que faz, e nunca a privo de ir, experimentar, arriscar. Mas sinto que, talvez por ter um irmão mais novo e outra a caminho, me pede muitas vezes para ser pequena.

Se lhe digo que é o bebé da mãe, diz-me que já não é bebé. Se pergunto para o ar quem são os meus bebés, responde-me imediatamente que é ela e o mano.

Zé Maria
O mano acabou de fazer dois anos. Oficialmente - porque há coisas oficiais para tudo - ele deixou de ser bebé há dois meses. Quando a irmã nascer provavelmente vai crescer mais um bocadinho porque se vai ver obrigado a isso e a mãe, eu, vou-me sentir orgulhosa dele e ao mesmo tempo a pessoa que o empurrou para uma situação que não escolheu. Provavelmente, se pudesse escolher, iria querer ter o colo só para ele mais um bocadinho, ser o pequenino da casa, o bebé. Apesar de ser um miúdo muito independente, nunca quer dar a mão na rua, come sozinho desde que me lembro, fala desde muito cedo e por isso sempre o percebi e isso ajudou-o a crescer, ele é verdadeiramente o meu bebé.

Luísa
Daqui a bocadinho chega cá a casa um recém nascido. A precisar de todos os mimos, atenção e colo que um bebé acabado de nascer precisa. E eu sou de dar colo, sou de dar mimo, sou de dar atenção, a todos. E sou, estupidamente eu sei, de ter sempre atrás da orelha uma enorme necessidade de ser justa e distribuir irmamente todo o amor que tenho para dar.

Quero deixá-los crescer.

Quero que cresçam com a enorme sorte que é ter irmãos, ter uma casa cheia e alegre, confusa, às vezes caótica, viva e animada. Quero que se adorem e que discutam como os irmãos devem discutir. Quero que se apoiem uns nos outros e que nunca se sintam sozinhos. Que sejam tão irmãos quanto possível. Quero que sejam mimados, amados, queridos e que sintam que o são, sempre. Quero que sejam independentes e que o nosso amor os faça crescer seguros e fortes. Mas não quero saltar etapas só porque são mais, porque são três, porque há um novo bebé. Quero estar presente no seu crescimento e no seu timing sem passar por cima das coisas próprias da idade. Das necessidades deles e dos pequenos dramas que todas as idades têm.
A mãe puxa-os para o colo, o pai empurra-os para o mundo.
Vou fazê-los crescer. Deixa-los cair. Experimentar. Mas não prometo que algum dia deixem de ser os bebés da mãe...

7 comments:

  1. Como sinto isto com a 2ª filha quase aí a chegar e a 1ª com 3 anos... por vezes quase sinto que a estou a trair... a tirar-lhe uma atenção (exclusiva) que tanto lhe deve saber bem. Mas depois penso que esta 2ª nunca vai ter a atenção em "exclusividade" prolongada que a 1ª teve... cabeça de mãe! Achamos sempre que já fazem muita coisa para a idade e ao mesmo tempo achamos que são sempre bebés... :)

    ReplyDelete
    Replies
    1. Sim.... é verdade. Os segundos já nascem sem o privilégio que tiveram os primeiros... Os terceiros nem se fala. Um grande beijinho.

      Delete
  2. Concordo tanto com o que diz e penso tantas vezes da mesma forma...
    Deixei o meu eterno bebé chegar aos 6anos para ter agora outra bebé. Vivo muito mais feliz por ser mamã destes dois tesouros, ainda mais rica que anteriormente então orgulhosa por ver que os manos já se amam tanto, mas a cabeça e o coração de uma mãe pensa e sente tanto que passo muitas e muitas vezes por estes pensamentos...
    Será que consigo dar o colinho aos dois de igual forma... E o amor chegará intensamente a ambos como sempre quis que fosse...? Conseguirei transmitir sempre ao meu filhote de 6anos que a minha filhota de 6meses não lhe tomará o lugar e que cada um é verdadeiramente especial e único?
    Espero que sim e esteja eu à altura de lhes dar todo o amor e atenção que cada um necessita. Enfim... À parte disto, a mais provável certeza é a de que acho que nunca deixarão, ambos, de ser os meus bebés... 😍

    ReplyDelete
    Replies
    1. Acredito que sim. Eles sabem que fazemos o melhor. Ciúmes há sempre. Ainda hoje em dia eu e os meus brincamos com essas coisas, quando a nossa mãe está mais ligada a um que outro. :)

      Delete
  3. Tento pensar muito positivamente em relação a isso, agora que tenho mais uma menina a caminho e uma menina de 2 anos ainda a ser o meu bebé. :)
    Dou à minha filha todo o mimo que posso, ela é mesmo a minha bebé e, quando a mana nascer, continuo a planear dar-lhe todo o mimo que puder. Claro que não faço ideia de como vai ser cuidar de duas filhas pequenas ao mesmo tempo mas sinto-me tão otimista que não consigo ponderar outra coisa que não seja que vai correr tudo lindamente. :P
    O que faço agora é falar muito do bebé à Lara, dizendo sempre que vai ser maravilhoso ela ter uma irmãzinha para brincar com ela e que vão ser muito amigas sempre. Coloco-a af alar com a barriga e ela faz-lhe festinhas e dá-lhe beijinhos por iniciativa própria. Assim que chega da creche, a primeira coisa que faz é dirigir-se à minha barriga e perguntar pelo bebé. :)

    ReplyDelete
    Replies
    1. O meu filho mais pequenino não liga nenhuma à barriga. Talvez por ser rapaz... Eu acho que ele não percebe o que se passa e não faz ideia nenhuma do que o espera. :)
      Mas sei que se vão adorar.Um grande beijinho e boa sorte para tudo.
      Para quando é?

      Delete
  4. Sou a mais nova de três irmãos. E, realmente, o meu irmão do meio foi sempre o mais rebelde e o mais "reclamador". Mas faz parte! E é ótimo ter irmãos! Força para estes últimos tempos de "peso" e pés inchados. Um beijinho

    ReplyDelete