Não tenho pressa...

Por todo o lado vejo mães que conseguem manter um corpo espectacular e invejável durante a gravidez.
Nunca fui assim. Engordo, ganho peso, preocupo-me mas faço pouco para controlar, e nesta gravidez, até desisti do exercício que estava a fazer porque senti que não me estava a fazer bem - apesar de saber que teria sido muito mais inteligente continuar.
A verdade é que para fazer exercício tenho que escolher o tempo, optar por não fazer isto ou aquilo, diminuir os meus dias e uma filha de 4 anos, um de 2 e uma barriga a crescer não são grande incentivo.
Sinto pressão, não minha mas do mundo em estar bem fisicamente e aliás o diálogo normalmente é este:
- Estás de quantas semanas?
- 36
- Mas estás bem. Mas nem estás muito inchada.  Mas só tens barriga.
O primeiro comentário ao tempo de gravidez é quase sempre acerca do corpo.
Depois vem o provável  cansaço.
Depois o resto.
Levo isto a bem. Se calhar até sou pessoa para o dizer a uma amiga porque engordar muito não é bom, receber um elogio cai ainda melhor quando estamos grávidas e porque somos mulheres e reparamos nestas coisas.
Já passei por dois pós partos, os dois muito diferentes. 
No primeiro, demorei dois anos a recuperar o corpo. Não a forma física mas o corpo que sofreu um bocadinho. 
No segundo, tive um pós parto muito melhor e após dois meses iniciei uma dieta que rapidamente me fez recuperar o peso. Continuei a dar de mamar em exclusivo e tive sorte porque correu sempre bem.
Olhando para trás, e não sei o que me reserva o futuro nem como vai estar o meu espírito,  acho que foi cedo demais.
Mas sinto pressão. 
À minha volta há uma rede - as pessoas que sigo no Instagram e Facebook por exemplo - que uma semana depois de darem à luz estão a voltar ao ginásio. 
Não acho bem nem mal nem tenho que achar nada porque cada mulher decide o seu tempo, o seu corpo, os seus objectivos. 
Os meus não são nada de especial, tenho poucos. Entro em modo sobrevivência. Tento que a casa sobreviva e pouco mais. 
Mas sinto pressão. 
E é um sentimento muito injusto para quem tem capacidade e força de se dedicar logo ao seu corpo e continuar a ser mãe, exactamente como as outras. 
Mas essa dedicação que algumas mulheres têm logo a seguir ao parto será positiva a longo prazo? Servem-nos de incentivo? Ou iniciam uma onda de culto do corpo num grupo de pessoas que tem o direito a ter um corpo torto, mole, gordinho, inchado, flácido durante algum tempo? Até se sentir bem?
Não falo de ginastas, desportistas, pessoas cujo corpo faz parte do seu trabalho, mas de mulheres normais que têm medo da crítica.
Estamos a perder o direito ao nosso pós parto? 
Com tudo o que temos que lidar? Hormonas, logística, amamentação, noites mal dormidas, cólicas, amor desmedido, tempo, outros filhos, casa, cozinha, baby blues? 
O culto do corpo vem a calhar no meio disto tudo? 
Não sei responder mas penso nisso. Talvez sim. Talvez devamos seguir os exemplos saudáveis e entrar nesta nova era de corpos esculturais antes, durante e depois da gravidez. Talvez seja este o novo conceito de mulher. 
Só posso falar por mim, não tenho pressa. Acho-me saudável sem fundamentalismos, acima de tudo na gravidez em que penso pouco com a cabeça e mais com a barriga - perco todos os fundamentos - mas dou-me o direito de me manter algum tempo grávida. Com resquícios de nove meses duros, com alterações a todos os níveis, peso nas pernas, medos, dúvidas, ansiedade, vontades. 
Continuo a incentivar-me com as mulheres que vão à luta e até a sentir algum orgulho em
 quem é capaz de tudo. Eu, sem pressas, hei-de voltar ao exercício, ao meu peso certo, a uma vida saudável como mãe e mulher. sabendo que me vou demorar, mas vou, e sabendo também que o importante é estarmos bem. Todas. 
Magras, gordas, com barriga, com músculos. E a lidarmos como sabemos com uma coisa tão dura como o pós parto. 

Comments

  1. Estou grávida de 36 semanas também e não poderia preocupar-me menos com o corpo. Bem... não me sinto gorda nem inchada mas, mesmo que sentisse, não creio que me preocupasse muito. Preocupo-me muito em descansar. Também tenho uma menina de 2 anos e tento dar-lhe toda a atenção possível. Já estou de baixa e tento poupar-me ao máximo. Já sei que, depois do parto, não estarei a fazer exercício físico nem no primeiro mês, mas depois hei-de voltar à forma antiga, com calma e tranquilidade.
    O que me interessa bastante é tentar manter uma alimentação saudável e manter-me longe do stress (o que é mais complicado por questões familiares mas lá chegaremos).
    Isto tudo para dizer que o bem estar mental e a saúde é muito mais importante que a boa forma física e não devemos ceder a qualquer tipo de pressão social nesse sentido. A boa forma física é muito relevante no sentido de nos mantermos saudáveis e bem connosco mesmas. Só isso. A opinião dos outros conta pouco.
    Um beijinho e que tudo corra muito bem.

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