6/27/2016

Foi assim que aconteceu.

Sou uma mãe de três filhos.
Acordo de manhã e eles são pequenas pessoas dependentes de mim, do meu marido e de todas as nossas decisões.
Tudo aquilo que fizermos será a pensar neles, a nossa vida será passada metade em função da sua felicidade e do seu bem estar, da sua saúde, do seu crescimento.
Ter um filho sacode-nos.
Passamos a ser ainda maiores quando eles nascem e ainda mais pequenos para tamanha responsabilidade. É uma graça, uma benção, um milagre e um peso gigante que temos que carregar com a maior leveza possível ou caímos no erro de nos apercebermos que está praticamente tudo dependente de nós.
E isso assusta.
Felizmente, somos dois a levar às costas estes minorcas, a ceder tantas vezes às suas birras, a errar redondamente, a saber que acertámos quando os vemos bons, educados, felizes, livres.
Felizmente somos dois que (faz hoje 7 anos) juntos e apesar de tão diferentes queremos exactamente o mesmo para a nossa casa.
Em 7 anos de casamento e 3 filhos depois também eu, tenho aprendido a ser mãe, mulher e a ser mulher depois de ser mãe. Essa mulher está mais vezes afastada por estar sempre presente. Mas a mãe que sou, é por causa dele.
Do meu livro, transcrevo um bocadinho do que é para o pai dos meus filhos, ser pai.

"Seria de esperar que o nascimento fosse o derradeiro empurrão. 
Mas não é. Ou para mim não foi.
Foi magnífico, não há outra sensação que supere a primeira vez que temos os nossos filhos no colo, com juras de amor desnecessárias e promessas de superação quase utópicas. Mas também aqui fui uma personagem secundária. O mérito foi todo da MariAna, eu “só” estava a segurar-lhe a mão, absolutamente comovido pela sua força e determinação - aconteça o que acontecer sei que nunca me vou esquecer dos olhos dela marejados de amor.
9 meses depois era pai mas ainda não me sentia verdadeiramente pai.
Então para quando a epifania? Queria deixar de me sentir culpado por não sentir aquela simbiose perfeita entre mãe e recém-nascido, em que se reconhecem mutuamente os cheiros, os sons e os humores. Sentia-me quase a mais. Não podia dar de mamar, não reconhecia os esgares nem sabia os truques para os adormecer. Mais uma vez tive que ser mais marido, mas em modo pit stop da fórmula 1. Mudava a fralda para a devolver, dava banho para a devolver, vestia-a (invariavelmente mal) e devolvia-a, vigiava-a enquanto as duas dormiam. Pouco mais.
Depois veio o primeiro reconhecimento, a primeira vez que acalmou com a minha voz, a primeira vez que adormeceu ao meu colo. O primeiro sorriso.
E com isso veio o orgulho de estar a fazer qualquer coisa bem.
Sem saber ler nem escrever os meus filhos fizeram de mim pai. "

AJM

E sem saber ler nem escrever, o melhor pai do mundo.

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