O primeiro mês da Luísa.

Já a sei de cor.
Os sons, os gestos. As expressões.
A Luísa tem sido um bebé muito fácil. 
Os meus filhos nunca foram chorões.  Choravam sempre com razão.  Ou fome, ou fralda suja, ou desconforto. Um bebé à partida quando chora é com razão mas o que quero dizer é que o motivo sempre foi mais ou menos rapidamente percebido.
A Luísa nasceu a chorar e calou-se logo quando foi para o meu colo.
Mamou logo. E bem.
Mas rapidamente percebi que tinha que a acordar para comer.
Perdeu pouco peso no hospital mas em 3 semanas ganhou apenas 60 gramas em relação ao peso com que nasceu.
A pediatra dos meus filhos - em quem confio a cem porcento - não dramatizou, não sugeriu suplementos, não me falou em percentis. Mas, a verdade é que aumentar o peso não é apenas uma questão de número. O peso é um dos primeiros indicadores de que as coisas estão a correr bem enquanto ainda não se sabe muita coisa acerca dele. Aumentar de peso significa que está a comer bem, que está a receber todos os nutrientes que precisa, gordura, que está a receber a energia que precisa para tudo, até para comer. 
A Luísa comia para ficar saciada, depois dormia e era muito difícil retomar. Tive sempre que a acordar ou fazia facilmente 3 horas, ou mais...
O que concluímos foi que ela não mamava até ao fim e por isso não recebia os hidratos de carbono, presentes na última fase do leite materno (1. proteínas; 2. gorduras; 3. hidratos de carbono) e por isso não engordava. A solução foi dar-lhe mais vezes de mamar, encurtando o tempo máximo para duas horas, mas dar-lhe sempre que pedisse (como sempre fiz). Isto implica muita disponibilidade, estar com a Luísa mais vezes implica necessariamente estar menos com os outros, e isso, custa-me muito. 
Tirando isto, que não é defeito é feitio, a Luísa é um bebé muito fácil. 
Não chora, mia. Gosta de adormecer no peito, tem muitas vezes soluços, não arrota quando eu tento mas do nada, tem umas pernas, pés, braços e mãos enormes e muito fininhas, só gosta do banho se estiver bem dormida e bem alimentada, senão é entrar e sair no meio de berros de adulta, gosta de dormir com uma fralda a tapar os olhos
Está sempre de mãos fechadas encostadas à cara.
A adaptação dos irmãos começou atribulada, como é normal. A Leonor não lhe dava muita confiança e agia com indiferença. O Zé Maria completamente obcecado por ela e a querer participar em tudo e mais alguma coisa, exigindo de nós alguma vigilância. Depois, com tempo começaram os dois a dosear sentimentos e a aceitar com mais tranquilidade a presença da irmã. Hoje, estão os dois apaixonados mas muito mais calmos. 
Tive ajuda neste primeiro mês. O meu marido trabalhou a meio gás indo busca-los à escola. No início fazia programas com os mais velhos o que ajudava muito, depois passou a voltar para o trabalho. A minha sogra "picava o ponto" mais ou menos à hora do banho e saía depois do jantar, e a minha mãe, fez inúmeras refeições que me facilitaram muito a vida.
Foi um mês muito bom apesar das dúvidas, do stress, da confusão, dos medos, da recuperação. Algumas vezes senti-me perdida e não me quero esquecer que foi muitas vezes - e ainda vai ser - muito complicado. 
Os mais velhos vão entrar de férias e aí é que vão ser elas, serão 15 dias a inventar programas que não envolvam praia e que sejam bons para todos, não será fácil... 
Por outro lado, a ausência de horários e de obrigações ajuda a que a logística corra sem grandes preocupações. 
É tão fácil amar um filho. Basta que exista. Sejam bebés fáceis ou difíceis. É muito simples. É um amor que vem de dentro e só cresce. A cada segundo. 
Passo muito tempo a olhar para os meus filhos, e não me canso. 
A Luísa já faz parte desse tempo, de mim e de nós como família e é impressionante perceber que estava destinada a nós, e nós a ela.

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