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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente parte daq…

9 semanas depois

A Luísa cresce de dia para dia.
Está cada vez mais enturmada na família e a família nela. Já  começa a ser percebida para além de mim. 
A Leonor nasceu para ser irmã dela.  Quer vestir-se de igual (o que não é fácil porque não têm nada igual), quer ajudar, cuidar, toma sempre as suas dores. Se a Luísa tem sono e não pode dormir,  se tem fome e tem que esperar um bocadinho, se espirra. Ela está lá,  a ser a irmã mais velha.
O Zé Maria tem uma relação estranha e cómica. Podia jurar que 70% do dia não se lembra que tem uma irmã. A não ser quando pede colo e já está ocupado ou lhe apetece pentear (põe sempre a franja ao contrário), dar festinhas (muito rapidamente como se ela picasse) ou pegar nela num tempo máximo de 2 minutos e depois diz que "agora é a mãe " e vai à sua vida.
A Luísa é um bebé incrivelmente feliz. Acorda e adormece a rir. Já dá gargalhadas principalmente quando está cansada e o riso se transforma em choro sem ela perceber bem como....
Ainda não acertámos tudo. Mas há tempo.
O mais importante está lá.

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