10/29/2016

Amanhã faço 37 anos.

Não gosto especialmente de fazer anos.
São dias que me causam muita expectativa.
Uns dias antes começo a imaginar como será,  uns meses antes defino metas para este dia 30 e falho-as inúmeras vezes. Não aprendo com os erros e todos os anos repito na minha cabeça: onde é que eu gostava de estar aos 30. Aos 31, 32 ....... Aos 37.
O meu percurso não é exactamente o que sonhei, nem como imaginei.
Não vejo mal em assumir que a minha vida à minha volta é muito boa, longe da perfeição mas nada me falta porque nada nos falta mas pessoalmente imaginei diferente.
Quis ser bailarina, veterinária, escritora, pediatra.
Cheguei aos 18 anos já sem estes sonhos e sem nada de concreto.
Não era boa a nada de especial. Era má,  muito má com números e boa nas letras mas sem certezas.
Fui parar à faculdade de Letras onde estive 2 anos a frequentar Estudos Africanos quando o que queria era Língua e Cultura Portuguesa mas sem média,  deixei-me ficar.
Um dia apercebi-me do meu erro e mudei para o Iade onde o meu pai era director. Chumbei no primeiro ano acabando por matar o mito de que o mundo é movido a cunhas e fiz os restantes anos sem grande dificuldade mas sem ser um génio.
Comecei logo a estagiar em publicidade como copywriter e adorava.
Estive em algumas agências até que, quando estava grávida da Leonor, a agência onde estou abre falência.
E este foi o momento em que todo o meu futuro profissional mudou.
O resto e em resumo, uma barriga, um recém nascido,  um marido com trabalho até desoras e o medo imenso de não estar lá para criar os filhos.
A Publicidade é conhecida por não ter horas, não ter ordenados por aí além e foi assim, e por força das circunstâncias,  pesando tudo, que se sacrificaram muitas coisas e se ganharam outras.
Fui trabalhando de casa, na casa, fui tendo filhos até chegar aos 3. Fui ficando. Fui tendo a sorte e o privilégio de os ver crescer, com muitas dificuldades, fui gerindo,  fui deixando para trás.
O que ganhei estando em casa não tem preço,  mas perdi uma carreira,  não tenho dúvidas e isso é duro. A muitos níveis.
Pesando, tomámos a opção certa.
Eles são o mais importante que tenho e o melhor ordenado. Não preciso de muito para me sentir completa e eles transbordam.
Portanto se aos 37 vou estar onde queria? Não. Se tenho mais do que a encomenda? Claramente.
Não morreu a vontade nem o gosto de escrever, de comunicar, de ser criativa. E espero que a vida me permita um dia usar a minha vocação, se é que chega a ser uma vocação, para realização pessoal e para não me faltar absolutamente nada.
Amanhã faço 37 anos. E apesar de eu não estar exactamente onde quero,  tudo o resto está.
E isso é já meio caminho andando para tudo.

3 comments:

  1. Parabéns Maria Ana.
    Que sejam uns 37 muito, muito felizes!
    Beijinho*

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  2. Parabéns! Que a vida continue a fluir! Compreendo e identifico-me com cada linha deste texto. Obrigada pelas partilhas tão transparentes neste blog. Que a carreira tenha apenas uma paragem e que este espaço possa trazer nesse momento preenchimento e realização!

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  3. Adoro fazer anos e conseguir planear objectivos . Adoro mesmo muito fazer anos e penso que especialmente por ser gémea ❤
    Carolina Melo

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