12/27/2016

Amor próprio

É difícil escrever sobre nós mesmos, pensar sobre nós mesmos, parar em nós mesmos. Mas é também obrigatório.
A maneira como nos vemos é impulsionadora de tudo. Ou temos um ego daqui à lua e andamos nas nuvens o tempo todo ou não é bem assim e estamos constrangidos por algum ou outro motivo.
Estar bem por dentro é a prioridade mas às vezes sempre o por fora ajuda o por dentro.

Quando temos filhos torna-se mais difícil. Andamos por aí a achar que está tudo bem porque o que nos importa são sempre eles. O seu sorriso compra-nos todas as dores e bola para a frente. É difícil parar quando se tem filhos. É difícil olhar para nós mesmos. É difícil mas não impossível claro, tomarmos conta de nós.
Se por dentro temos uma essência, valores e se nos mantivermos fieis, à partida corre tudo bem. Por fora, se nos distraímos corremos o risco de não nos conseguirmos recuperar.

Há quase dois anos, tinha o meu filho do meio um ano e tal estava no auge da minha condição física. Mais magra, mais saudável, mais firme, muito mais confiante, muito mais segura.
Este Natal recebi roupa 40. Fiquei meio indignada. É assim que me vêem? É esta a imagem que têm de mim? Isto vai estar enorme, blasfemei. E depois, serviu que nem uma luva e levei a chapada.

Não é um drama e é óbvio que este tamanho é para uns gigante e para outros pequeno - nunca ninguém está verdadeiramente satisfeito - mas para mim é dois tamanhos acima.
O que escrevo não é sobre isso. Não é sobre 8 quilos que me separam dos meus objectivos mas é sobre a força de vontade, a coragem de mudar, a necessidade de às vezes sentirmos apoio na comida, comer mal por falta de tempo, de paciência, de logística, de planos de contingência contra dias mais complicados, caóticos, intermináveis.

É fácil perder peso, sempre me disseram, basta fechar a boca. O mais difícil é o resto, é manter a vontade e a determinação de não nos deixarmos ir no cabelo despenteado, nas rotinas dos dias, nas nódoas da roupa e nas unhas estragadas acabadinhas de pintar.
É difícil parar, olhar para nós com coragem de nos vermos, umas vezes bem, outras mal, outras mesmo mal.
E é mais difícil ter coragem de passar por cima disso tudo para ficar bem ou onde queremos.
É preciso procurar essa força, essa determinação e ter coragem de largar essa desculpa quando os dias correm menos bem, quando os dias têm horas sem fim, quando não temos paciência para mais nada, nem mesmo para nós.

3 comments:

  1. Às vezes isso acontece-me... olho para o tamanho de alguma peça de roupa ainda com o pensamento do meu "antigo eu" e penso "ui, isto é enorme" e quando vou a ver, fica como uma luva.
    Estou agora grávida do bebé nº3 e não sei o que me vai passar pela cabeça no pós parto... acredito que me passem coisas como as que estão descritas no texto... mas também sei que se estiver bem comigo interiormente, o ter mais ou menos kg na balança, ou vestir o número de roupa acima ou abaixo não vai ter influência... (isto porque já "sofri" demasiado em tempos por ser demasiado magra e qualquer trapinho que vestisse - normalmente o número mais pequeno que existia na loja - ficava enorme, era preciso mandar apertar e ainda assim, não ficava como gostava de ver)
    Não vamos ficar com o mesmo peso/imagem para sempre, mas sim, temos que fazer o melhor por nós de forma a sentirmo-nos bem, ficarmos bem, pois só assim conseguiremos cuidar bem dos que nos rodeiam...
    Muita força, muito amor próprio!
    Felicidades e um ótimo 2017!

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  2. Estamos exactamente na mesma... 3 filhos depois, uma bebé com 11 meses, 8kg a mais, roupa 40...Mas é à comida que ultimamente vou buscar as energias que preciso para me manter de pé sem dormir... E penso que são fases e que tudo vai melhorar. Beijinho e Boas Festas.

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  3. Obrigada por esta partilha. Numa fase em que ando tão mal comigo mesma e com a vida, as tuas palavras deram-me coragem para perceber que preciso fazer as pazes comigo mesma.

    És linda, mesmo.
    Um beijo nesse coração <3

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