Amor próprio

É difícil escrever sobre nós mesmos, pensar sobre nós mesmos, parar em nós mesmos. Mas é também obrigatório.
A maneira como nos vemos é impulsionadora de tudo. Ou temos um ego daqui à lua e andamos nas nuvens o tempo todo ou não é bem assim e estamos constrangidos por algum ou outro motivo.
Estar bem por dentro é a prioridade mas às vezes sempre o por fora ajuda o por dentro.

Quando temos filhos torna-se mais difícil. Andamos por aí a achar que está tudo bem porque o que nos importa são sempre eles. O seu sorriso compra-nos todas as dores e bola para a frente. É difícil parar quando se tem filhos. É difícil olhar para nós mesmos. É difícil mas não impossível claro, tomarmos conta de nós.
Se por dentro temos uma essência, valores e se nos mantivermos fieis, à partida corre tudo bem. Por fora, se nos distraímos corremos o risco de não nos conseguirmos recuperar.

Há quase dois anos, tinha o meu filho do meio um ano e tal estava no auge da minha condição física. Mais magra, mais saudável, mais firme, muito mais confiante, muito mais segura.
Este Natal recebi roupa 40. Fiquei meio indignada. É assim que me vêem? É esta a imagem que têm de mim? Isto vai estar enorme, blasfemei. E depois, serviu que nem uma luva e levei a chapada.

Não é um drama e é óbvio que este tamanho é para uns gigante e para outros pequeno - nunca ninguém está verdadeiramente satisfeito - mas para mim é dois tamanhos acima.
O que escrevo não é sobre isso. Não é sobre 8 quilos que me separam dos meus objectivos mas é sobre a força de vontade, a coragem de mudar, a necessidade de às vezes sentirmos apoio na comida, comer mal por falta de tempo, de paciência, de logística, de planos de contingência contra dias mais complicados, caóticos, intermináveis.

É fácil perder peso, sempre me disseram, basta fechar a boca. O mais difícil é o resto, é manter a vontade e a determinação de não nos deixarmos ir no cabelo despenteado, nas rotinas dos dias, nas nódoas da roupa e nas unhas estragadas acabadinhas de pintar.
É difícil parar, olhar para nós com coragem de nos vermos, umas vezes bem, outras mal, outras mesmo mal.
E é mais difícil ter coragem de passar por cima disso tudo para ficar bem ou onde queremos.
É preciso procurar essa força, essa determinação e ter coragem de largar essa desculpa quando os dias correm menos bem, quando os dias têm horas sem fim, quando não temos paciência para mais nada, nem mesmo para nós.

Comments

  1. Às vezes isso acontece-me... olho para o tamanho de alguma peça de roupa ainda com o pensamento do meu "antigo eu" e penso "ui, isto é enorme" e quando vou a ver, fica como uma luva.
    Estou agora grávida do bebé nº3 e não sei o que me vai passar pela cabeça no pós parto... acredito que me passem coisas como as que estão descritas no texto... mas também sei que se estiver bem comigo interiormente, o ter mais ou menos kg na balança, ou vestir o número de roupa acima ou abaixo não vai ter influência... (isto porque já "sofri" demasiado em tempos por ser demasiado magra e qualquer trapinho que vestisse - normalmente o número mais pequeno que existia na loja - ficava enorme, era preciso mandar apertar e ainda assim, não ficava como gostava de ver)
    Não vamos ficar com o mesmo peso/imagem para sempre, mas sim, temos que fazer o melhor por nós de forma a sentirmo-nos bem, ficarmos bem, pois só assim conseguiremos cuidar bem dos que nos rodeiam...
    Muita força, muito amor próprio!
    Felicidades e um ótimo 2017!

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  2. Estamos exactamente na mesma... 3 filhos depois, uma bebé com 11 meses, 8kg a mais, roupa 40...Mas é à comida que ultimamente vou buscar as energias que preciso para me manter de pé sem dormir... E penso que são fases e que tudo vai melhorar. Beijinho e Boas Festas.

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  3. Obrigada por esta partilha. Numa fase em que ando tão mal comigo mesma e com a vida, as tuas palavras deram-me coragem para perceber que preciso fazer as pazes comigo mesma.

    És linda, mesmo.
    Um beijo nesse coração <3

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