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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Pensar no Natal

Caio sempre no mesmo erro.
Primeiro olho para o que tenho e começo a agradecer pelas mil coisas que me sobram. O meu marido,  os meus filhos, a minha família com mais ou menos desencontros. A nossa saúde. 
Depois olho à minha volta. Que importância tenho na vida dos outros. Significo para alguém? E os que nos estão mais próximos não contam para a equação. Sei que sou importante para o meu marido, para os meus filhos. Mas e o resto das pessoas que me rodeiam? Faço diferença?
Depois tenho saudades dos que faltam, e penso neles até às lágrimas.
A minha bisavó que me deu a poesia, a minha avó que sempre me deu mantas e sacos de água quente a fazer lembrar o Natal,  a minha prima mais velha que me/nos deixou cedo demais.
É inevitável.  Faz parte do balanço. Dos 12 meses.  Pensar no que foi bom.  No que foi mau.  No que é obrigatório mudar.
Olho para mim também. Talvez antes de olhar para tudo o resto. Umas vezes desculpo as minhas falhas,  outras não me perdoo. E falho muito. E culpo-me e desculpo-me mais. É no Natal que mais me apercebo das falhas da vida,  das desilusões por ser uma época absurdamente emotiva. Também é por isso que não me esqueço de agradecer e de abraçar os que amo e me amam e os que gostam que faça parte das suas vidas,  tal como eu.

Um feliz Natal.

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