1/04/2017

O meu filho do meio

Ontem, depois de um vídeo que fiz, percebemos - pai e mãe - que o nosso filho do meio deixou de ser um bebé. Sinto sempre isso nesta idade e não sou de ficar triste por os ver crescer. É bom.
Mas há qualquer coisa de absolutamente injusto em ser o filho do meio. Principalmente um filho do meio tão pequenino.
Há 6 meses o Zé Maria,  com dois anos e 3 meses deixou de ser bebé.
O colo que ele ocupava com toda a propriedade recebeu outro bebé muito mais pequenino que ele e obrigatoriamente teve que ceder o seu lugar.
O colo da mãe passou a ser ainda mais à vez.
A Luísa, que acordada é o bebé mais fácil do mundo, precisa do colo da mãe para adormecer e essa simples característica dela altera a minha forma de ser mãe do meu filho do meio. Ele precisa de colo também,  de mimo também e de mãe só para ele também.
Às vezes não há opção senão pedir-lhe 5 minutos, fazê-lo esperar a vez, distraí-lo com outra coisa.
Não há vez em que o faça esperar sem um sentimento de culpa enorme.
É que com o tempo melhora mas também é com o tempo que ele cresce. Olho para ele com todo o pormenor para não perder pitada mas às vezes perco-o um bocadinho. E custa-me muito. Ontem pediu-me que lhe montasse uma mota que recebeu no Natal. Umas 10 peças com instruções que me levariam (sou menina de letras e não de matemáticas) uns 15 minutos a montar e não consegui no meio da confusão e do choro de cansaço da Luísa. A minha cabeça pura e simplesmente não funcionou. Não é nada de mais quando não existe nenhum peso na nossa consciência mas na minha claramente existe. 

Para a Luísa começo a ser cada vez mais substituível nem que seja por períodos pequenos mas às vezes não há quem substitua. 

O Zé Maria é um miúdo fácil de bem com a vida feliz e desenrascado mas claramente sente a minha falta. Testa-me responde mal e compara-me com o pai, o seu herói. E ainda bem que o faz. Ensina-me e obriga-me a estar e ser mais atenta a fazer a Luísa esperar também  (embora sinta que ela é sempre a última), obriga-me a arranjar formas de compensação que o façam feliz nem que signifique dividir o colo, deitá-lo mais tarde, fazer alguns (mais) malabarismos. 

Não sinto que os perco quando crescem mas tenho medo que cresçam e que não dê por isso.

Desejo que o tempo passe para que a Luísa seja autónoma e ao mesmo tempo que se demore para poder estar concentrada nele, no meu filho do meio. 


 . 

9 comments:

  1. Nem sei o que pensar. Por momentos fiquei triste ao pensar que o meu bebé, ainda filho único, um dia também vai deixar de o ser. Dou por mim a pensar que um segundo filho agora...embora fosse ser muito desejado como o primeiro...ia tirar algo ao meu primeiro. É complicado e agora vejo a situação do ponto de vista de quem tem três e ai jesus...
    Como foi para a Luísa a vinda do irmão? O sentimento de culpa também existia ou não se sente tanto? :-/
    Beijinhos!

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    1. Para a Leonor(a Luísa é a mais pequenina). Para ela não foi fácil quando nasceu o Zé Maria mas foram 15 dias difíceis e depois passou. Quando nasceu agora a Luísa esteve uns 10 dias sem lhe ligar nenhuma e de repente apaixonou-se.
      Não deixe que isso a impeça. É difícil mas muito muito bom principalmente quando eles começam a brincar uns com os outros

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    2. Peço desculpa confundi os nomes :-(
      É nisso que tento pensar, que eles vão crescer e vão adorar ter um irmão ou irmâ ou até mais. Eu sempre adorei ter um irmão, acho que a infância e a vida no geral não seria a mesma coisa se não tivesse. Quero que o meu bebé tenha irmãos e vou agarrar-me a estes testemunhos para, quando chegar o momento, conseguir decidir com tranquilidade :-)
      Obrigada!

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  2. Adoro ler o seu blog, porque me identifico muito. Também tive o 3 filho agora, uma menina, para se juntar aos dois meninos (com 7 e 5 anos) e sinto isso mesmo em relação ao filho do meio. Mas não é diferente do senti qd chegou o segundo... e dou por mim a culpar-me vezes sem conta por não ser ainda melhor para eles e a conseguir gerir o tempo da mãe ainda melhor. É tão difícil, e estou em casa, faço tudo e dou toda para eles, mas ainda assim não chega. Têm que me dividir com os irmãos e com a casa!!!

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  3. Adoro ler o seu blog, porque me identifico muito. Também tive o 3 filho agora, uma menina, para se juntar aos dois meninos (com 7 e 5 anos) e sinto isso mesmo em relação ao filho do meio. Mas não é diferente do senti qd chegou o segundo... e dou por mim a culpar-me vezes sem conta por não ser ainda melhor para eles e a conseguir gerir o tempo da mãe ainda melhor. É tão difícil, e estou em casa, faço tudo e dou toda para eles, mas ainda assim não chega. Têm que me dividir com os irmãos e com a casa!!!

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  4. Revejo-me totalmente nas suas palavras. A minha filha mais velha tem 3, o do meio 19meses e tiveram de ceder o colo à mana que nasceu há 2meses. Felizmente é uma bebé muito tranquila, senão estava feita.

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  5. Mariana, eu não o faço mas conheço muito quem faça e acho delicioso. O dia do FILHO ÚNICO! Vais buscá-lo á escola na hora do almoço e vais com ele Almoçar, só os 2, para falarem sem interrupções, para seres dele a 100%.
    É coisa para durar 45m na tua cabeça e 145m na cabeça dele...vai sentir que tem sempre um dia da semana onde pode ter o colo só para ele, e o que mais ele precisar.
    Se não tiveres onde deixar a Luísa podes contar comigo! Deixas cá e confia que fica bem e faz-lhe bem! Vais buscá-lo, entras no 1º café que vires, e violá!

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  6. Esta do Sheila Scarlet está a deixar-me intrigada...é a tripeira, e não consigo alterar este nome ridículo, Sheila Scarlet???? 😱

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  7. Já sinto um bocado isso com o do meio e o 3o ainda não nasceu... Vamos ver como vai correr...
    Normalmente surpreendem pela positiva...
    Beijinhos

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