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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

O egoísmo que é amar um bebé

São uns 12 meses - se não contarmos com as 40 semanas na nossa barriga.
Nalguns casos mais, noutros menos.
Os olhos deles seguem-nos até ao último bocadinho de nós e procuram-nos quando não estamos.
Adoram o pai e a avó e os irmãos e toda a gente que se cruza nas suas vidas mas a mãe é quem os acalma, os descansa, os ampara.
Vão ao colo deste e daquele mas por tempo limitado e o seu coração só repousa quando sentem a segurança do colo da mãe. É assim que acontece com a maior parte dos bebés. Só têm olhos para a mãe.
É a terceira vez que vivo isto e a sorte imensa que tenho. Este olhar de amor cego, esta necessidade de mim, esta dependência que nos faz sentir absolutamente indispensáveis. E até importantes.
Estamos nos primeiros meses e no auge do nosso papel de mãe. E torna-se uma espécie de emprego absolutamente bem pago em que estamos sempre a receber elogios. Confirmamos as nossas aptidões e ficamos de certa forma convencidas com tudo aquilo que o nosso bebé nos faz sentir enquanto é e está dependente da mãe. 
Primeiro completamente aninhados no nosso calor quando começamos devagarinho a perceber os diferentes choros, a fome, as dores, o colo. Depois quando percebemos tudo só com um olhar, uma expressão. Que nos basta. E lhes basta.
Depois crescem e começam a correr para outros colos, e ainda bem, e deixam de ser um bocadinho nossos. Outras pessoas, muito importantes da vida deles, começam a entendê-los também, só com um olhar, só com uma expressão. 
Dura à volta de 12 meses a fixação pela mãe e de forma muito egoísta bebo esta fase que me alimenta como pouca coisa. Decoro os olhares, os braços esticados para mim, o sentimento todo à volta deste amor que nos têm e que não tem condição. Está e é no seu estado mais puro de todos. 
Depois, compreendo, aceito e deixo ir. Com alegria porque vão com confiança. E porque voltam sempre para o colo, mesmo que não seja logo para o meu.

Comentários

  1. Ainda estou na fase de ser o centro das atenções do meu bebé e adoro. Mas sei que também vou adorar as outras fases. Já adoro que ele goste do infantário, que tenha a sua rotina e a sua vida para além da minha. Adoro vê-lo a crescer e a ser independente. Mas também sei e sinto que vou sentir falta desta dependência de mim. Mas a vida é mesmo assim e eu quero é que o meu menino seja feliz :)

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