6/30/2017

Às vezes perco o controlo

Normalmente as coisas andam mais ou menos em auto piloto.
As manhãs, os dias cheios com a Luísa, os fins de tarde e depois toda a gestão da casa, das pequenas coisas para fazer que ocupam demasiado tempo, as refeições, a limpeza, os recados, os afazeres, as compras, os passeios com o cão, ir levar à escola, ir buscar. Os sonos, as sestas. As noites.
E depois nós. Ele e eu. Eu.
Quando vejo ao longe parece-me básico gerir uma família. Não tem grande ciência. É ser organizado, acordar cedo, dormir bem, gerir a casa como uma empresa, gerir os filhos com muito amor, gerir o casamento com carinho, ternura, segurança e tolerância.
Mas às vezes perco o controlo.
Dou por mim a deixar fugir tudo e todos das mãos. A rezar para que ninguém se magoe enquanto cozinho, que se entretenham enquanto dou o quinquagésimo jeito à casa. Que não precisem de mim para atar os sapatos, para ajudar na casa de banho, que me ajudem não fazendo birras.
A verdade é que eles são eles, como são. Indiferentes ao meu tempo, à minha incapacidade ou ao meu cansaço. E é assim que deve ser.
Dou por mim a ter que parar para pensar. O que é que eu estava a fazer? E rapidamente se instala um caos que me pergunto se existirá só aqui. Nem são eles, sou eu. Aquelas 3 horas ao final do dia em que basta estar uma coisa fora do sítio como não ter o jantar preparado ou um deles estar mais precisado de mim, mais cansado, mais birrento para que tudo se desconjunte. Eles nem notam às vezes, tento disfarçar que estou sem saber o que fazer e que muitas vezes me apetece simplesmente sentar, parar, estar quieta.
Ou naquelas semanas em que há vacinas, reuniões, médicos e tudo cai ao mesmo tempo, uma batidela no carro, uma conta em atraso, garantir que têm roupa para a colónia de férias, chapéu, fato de banho, pensar nas mochilas, fazer compras a contar com a praia, os cremes.
Depois dou por mim e nem me reconheço. Ando ali aos papéis, desgrenhada, cansada, a desejar que os dias terminem, mesmo os bons. E a maioria, são bons, aliás são óptimos.
Nunca me deito infeliz com os meus dias, só cansada, confusa, desorientada e sempre a pensar no quanto tenho por fazer.
Brinca brincando, há 6 anos que estou com filhos. Há 6 anos que estou todos os dias com um deles e há 6 anos que não estou sozinha mais do que umas horas. Não me importo de estar com eles mas tenho saudades minhas. De parar um bocadinho, de conseguir pensar, de me organizar por dentro.
É isso: ando desorganizada por dentro. Feliz e muito desorganizada.

3 comments:

  1. Eu tenho (só) dois filhos, um de 11 anos e uma de 1 ano. Não tenho cão. E tenho exactamente esta "agitação interior" que não desliga, que não abre espaço para o meu "eu" descansar... às vezes é desesperante... mas só às vezes. Das outras vezes é só assim assim :-)


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  2. é mesmo assim a vida de mãe, e de pai, claro está. mAs tudo se encarrilha, devagarinho, com paciência e muito amor.

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  3. Tenho 3 filhotes (8 anos,3 anos e 10 meses) e essa senasaçao que tenho.nque o tempo voa, que nao chega para tudo o que pretendemos fazer
    tenho saudades de ir à praia com: chave do carro, toalha, livro e protetor,,, (até podia ser só 1horita)

    http://margaridaflordaminhavida.blogspot.pt

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