7/11/2017

Tu és bom.

Todos os dias. Tu és bom.
Dizer-lhes isto todos os dias. Palavras, gestos, de uma maneira ou de outra.
Lembrar-me no meio de raspanetes e de banhos e de coisas que se atropelam nas coisas. Tu és bom. Tu és mais que bom, és o melhor. És o melhor naquilo que és.
Estávamos de manhã a vestir, a pôr creme para a praia, para a escola, para a colónia, para as horas, para a pressa. Vamos chegar atrasados, perder a camioneta, se não se despacham não vão. Sem tempo para parar e pensar que sabem lá o que são horas e pressas e tempo. Depois uma birra, foi creme para o olho, exagerou. Chorou mais do que é suposto (?), saímos à pressa, a correr, entrem no carro, ponham o cinto, meninos depressa, corram, podemos apanhar trânsito.
E depois entramos todos e estamos em silêncio e eu penso neles, em como são bons.
"A mãe adora-vos. Vocês são os melhores filhos que posso ter e nunca pensei ter filhos como vocês, tenho muita sorte".
Não ligam muito. Sorriem. Estão habituados a declarações de amor (mimados).
Também estão habituados a que refile, a que os apresse, os pressione, a que os obrigue a apanhar brinquedos do chão (não fazem mais que a obrigação), a que às vezes perca a cabeça e mande um berro bem alto que eles odeiam e lhes diga que estou farta.
Mas hão-de ouvir todos os dias que os adoro, que são bons. Que são especiais e únicos e incríveis. Mesmo quando me irritam com as suas coisas. Mesmo quando são dramáticos e falem a chorar e desarrumem tudo sem respeito nenhum pelo meu esforço e pelo meu cansaço. Todos os dias. Merecem ouvir que são bons. Crescer a saber que são bons. Acreditarem que são bons.
Tu és bom. És bom a dar abraços e beijinhos, és bom a contar histórias, és bom a rir-te com a cara toda, és bom a dar gargalhadas imensas, és bom a jogar futebol, a olhar-me nos olhos. Tu és bom no coração. És bom na alma. És bom filho, boa criança, boa pessoa.
E eu vou dizer-to todos os dias da minha vida.

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