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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

o pai e a mãe


Cá para mim é isto. O pai e a mãe ainda se adoram e dão a mão nos intervalos das coisas e também durante todas as coisas que fazem parte dos dias. Há durante muitos anos muitas fraldas para mudar, muitos biberons, muita ajuda para comer, muitas bóias para encher, muitos olhos postos neles. O tempo não pára e eles crescem e os pais tentam aparecer na fotografia. Bem ou mal. Para que quando as fraldas desaparecerem e eles comerem de guardanapo no colo, o pai e a mãe se mantenham ali. No quadro.

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