10/01/2017

Porque é que tirei a Luísa da escola

Estive um ano a preparar-me. Um ano a gozar o máximo que pude, como aliás sempre fiz, com os 3. Aquele ano é meu.
Aproveito-o o quanto posso sem pensar em nada, só ali a vivê-los. A abraçá-los, a mimá-los.
Nunca senti que o tempo passasse a correr nos primeiros tempos, talvez por isso.
Desta vez custou-me um bocadinho mais. Tudo me custou mais. De todas as vezes que a Luísa deixa de precisar de mim para o quer seja, custa-me, por ser a última. A sua ida para a escola não foi excepção.
Nos últimos meses fingi não ser nada connosco e dias antes de começar é que a bomba caiu em mim.
Só parei para pensar quando o ano lectivo estava mesmo a começar.
Foi um ano cheio. Incrivelmente cheio. Com tantas coisas a acontecer ao mesmo tempo que um recém nascido entrava em nossa casa.
O Zé Maria largou as fraldas, a Leonor a chucha. Fomos de férias, pela primeira vez a 5, tivemos o primeiro Natal também a 5. Aprendemos a viver como vamos ser para sempre, o pai, a mãe e eles os três. Umas vezes foi fácil e outras foi muito duro.
Tinha no horizonte uma certa esperança na escola e na ida da Luísa.
Por um lado, a ideia de estar sozinha. Já não sei bem o que isso é e faz-me falta, a vários níveis. Pela independência, pela possibilidade de fazer mais por mim e também pela possibilidade de fazer mais pela casa e pelo orçamento familiar. Não se fala muito por aí de dinheiro e ainda bem porque em última análise tudo se faz, mas o dinheiro é infelizmente parte das nossas vidas e tem um papel de peso quando tomamos decisões. Se fosse abundante provavelmente não teria. E faz falta, e é contabilizado e fazem-se contas. Todo o santo dia.
A Luísa foi 3 dias à escola. A adaptação foi como seria de esperar. Não gostou ela, não gostei eu apesar de todo o carinho da educadora e do empenho de toda a escola para que a Luísa se sentisse bem.
Mas nada de anormal, seria só uma questão de tempo até se habituar. A única coisa de anormal, este ano e com esta filha foi o facto de terem acontecido três adaptações ao mesmo tempo e isso, claramente fragilizou-me. Mas sou humana e não vejo mal nisso. Ainda assim e acreditando na escola, respirei/respirámos fundo e tanto para o Zé Maria como para a Leonor correu/está a correr bem com as supostas reações a um ambiente novo, ao primeiro ciclo, a um método completamente diferente para todos, aos trabalhos de casa.
Ao terceiro dia fez-se luz. Pesámos todas os prós e contras e decidimos que a Luísa continuaria pelo menos mais um ano comigo mas que eu passaria a ter uma ajuda mais constante cá em casa. Mais horas - ajuda sempre tive, excepto nos últimos meses.
E assim foi. A Luísa saiu da escola onde nunca chegou realmente a começar e veio para casa com a mãe.
Nada mudou excepto uma coisa muito importante, não só para ela mas para mim e para os irmãos. Nos últimos tempos andava esgotada e absorvida pela casa, pelas limpezas, pelas arrumações, pela roupa, pela cozinha. E não estava, ao mesmo tempo, a conseguir dar conta do recado. E tudo estava a começar a falhar, a começar por mim.
Com esta mudança espero conseguir desligar das coisas menos importantes mas que me causavam preocupações constantes e ligar-me mais a eles. Poder acompanhar a Luísa mais um ano é um privilégio, poder estar mais presente no primeiro ano da Leonor, poder continuar a dar importância aos (apenas) 3 anos do Zé Maria e vê-lo também crescer devagar.
Poder estar mais disponível e menos morta (basicamente é isto) para o meu marido e para o nosso casamento.
Em última análise queremos que esta decisão venha equilibrar as coisas. Que me dê hipóteses e espaço profissional, que me dê cabeça para pôr ideias que tenho em marcha e que me liberte um bocadinho da casa e que isso me dê espaço para tudo o resto.
Para o ano logo se vê.


O body cor de rosa quando a Luísa tinha menos de 1 mês (!!) é da Nós e Tranças. A fralda de pano da Little Wings. O pano e a fralda são da Gloop e o carrinho da BebeConfort.  

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