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Apresentados

2020/2021

No outro dia o Zé Maria disse que o dia em que mudou de escola foi o pior dia de sempre. Nesse ano, mudaram todos de escola. A Leonor entrou para o primeiro ano, o Zé Maria para o segundo ano do pré escolar e a Luísa entrou na creche pela primeira vez  (e depois acabou por sair e ficar comigo mais um ano). Estávamos todos arrasados emocionalmente. Lembro-me que tive que deixar o Zé Maria e ficar com a Luísa na sala. Ele diz que chorou o dia todo. Nunca pensei que se lembrasse com tanto pormenor. Foi há 3 anos.  Está especialmente nervoso este ano. Vai entrar para o primeiro ano, depois de sete meses em casa. Diz que não quer ir apesar de todo o nosso incentivo e até da Leonor que adora escola e lhe diz que vai ser espectacular. Os meus filhos nunca foram de amar a escola. E eu sou forte promotora porque se for bom, é óptimo. A Leonor quando entrou com um ano esteve 15 dias sem comer e sem dormir. Diziam que ela estava muito apegada a mim, como se isso fosse mau. Como se ter estado com e…

A Mãe dá beijinho e passa

O Zé Maria às vezes cai e faz fita. Sei perfeitamente que não doeu. Está mais cansado por exemplo.
Ou às vezes ele sabe. Ele sabe que depois de uma queda ou de se entalar ou de tropeçar bater com o pé com o cotovelo ou com a cabeça leva um beijinho e um abraço. E pode estar só a precisar de mimo.
A Luísa quando se magoa num dedo pede beijinho nos dois. Se se magoa num pé pede beijinho nos dois. E eu, influenciada pela ternura ainda lhe dou um abraço. 
A Leonor "já" com 6 anos às vezes cai (tantas vezes que ela cai) esfola joelhos tropeça bate com o dedo mindinho nas pernas das cadeiras e sabe que pode vir a correr que lhe dou um beijinho e um abraço. Às vezes, se me esqueço porque a coragem dela tanto me orgulha como me demove porque a vejo levantar-se imediatamente e seguir caminho, volta para trás e diz que "a mãe nem sequer me deu um beijinho". E eu dou. Claro que dou.
Ao longo do dia perco a conta aos beijinhos e aos abraços que dou à custa de quedas e de dores. E penso neste poder que os pais têm de curar com um beijo e no desejo imenso e sem sentido que tenho que este poder dure para sempre.
Para sempre os vou curar com um beijo, é o que eu penso sem saber o que lá vem.
Os amores e essas dores. As desilusões,  as grandes frustrações, os medos.
Para sempre os vou curar com um beijo. A adolescência as amizades as inseguranças as tristezas.
Pegar neles e dar um beijinho na mão e se for preciso outro, no coração.

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