Os meus filhos não são segredo

Vi num blog - não interessa qual - vários comentários acerca da privacidade das bloggers e que por mostrarem os filhos não podem opinar em relação ao programa que está na berra - supernanny- numa espécie de quem não vota que não se queixe.
Não é bem assim. A imagem dos filhos não é para usar e abusar conforme nos dá na gana mas - e porque as leis ainda estão pouco claras - cabe aos pais decidir conforme a sua consciência. Com isto quero também dizer que há pais que não são bloggers e que publicam diariamente fotografias dos seus filhos e muitas vezes vejo até hashtags como #caçaaolike. Com isto quero também dizer que há pais que são muito conscientes do bem estar dos seus filhos e que em blogues ou onde quer que seja publicam fotografias dos seus filhos. Todos os dias.
Cabe aos pais (agora) agir de acordo com o que acha melhor. Umas vezes erra-se. E para isso não é preciso ter um blogue. Ou ser uma figura pública. Basta ser humano.
Li, nesse blog, comentários acerca do meu. Referiam o meu blog como exemplo de alguém que não mostra a cara dos filhos e que vai tendo algumas - mas menos - parcerias por causa disso. Bem sei. Bem sei.
Num comentário de resposta há outra pessoa que diz que o meu blog nem sequer é bom (muitas vezes eu mesma tenho essa dúvida) e outra diz que se pode ver no meu feed do Instagram que eu agora até já mostro a cara dos miúdos e que se percebe perfeitamente quem eles são.
Era aqui que eu queria chegar. E talvez seja a primeira vez em 3 anos de blog que escrevo estando zangada.
Os meus filhos não são segredo. Infelizmente não posso andar com esta explicação atrás mas está aqui. Quando decidi ter um blog que não tinha a ver com maternidade mas exercício físico, não fazia sentido que eles aparecessem ou que se tornassem no foco. A ideia no entanto era mostrar que uma mãe pode ter uma vida saudável e praticar exercício com filhos em casa - na altura o Zé Maria - e com filhos pequenos.
O meu blog começou com essa parceria. Uma proposta de uma empresa que nasceu de uma família que adoro para eu criar um blog. Não me tornei comercial. Já nasci dessa relação.
Como não posso apagar os meus filhos - graças a Deus - dos meus dias, decidimos (o meu marido e eu) que eles apareceriam ou desfocados ou de perfil ou de costas ou de uma maneira qualquer em que nunca fossem o foco central.
O sentido não era tanto de proteger a sua identidade - o Zé Maria e a Leonor já fizeram campanhas publicitárias (tal como eu e os meus irmãos em pequeninos) mas não me apoiar neles para fazer passar a mensagem. Achei que  - no meu contexto - os podia proteger do meu facilitismo. Achei que teria que puxar mais por mim para escrever e que não faria inúmeras publicações por dia se não tivesse tanto para mostrar. Mas isto sou eu. Isto é o que me faz sentido. Este é o meu blog. Ainda hoje é assim e há dias em que não partilho nada,  normalmente quando os dias são mais nossos que do "mundo". Mas não tenho que me desculpar pois fazê-lo seria acusar quem faz várias publicações por dia.
Os meus filhos não são segredo no entanto. Onde eu estou, eles estão. E por isso facilmente me associam a eles caso nos encontrem na rua. Se quiserem saber como eles são fisicamente em menos de um minuto descobrem. Não os escondo do mundo e não vivo obcecada com a desfocagem certa e que os torne completamente imperceptíveis. Sempre foi assim, umas vezes mais bem conseguidas que outras. Mas a essência é a mesma. O blog é meu, não é deles. Os textos são na sua maioria sobre a maternidade e eles são os meus filhos. Se eles um dia reagirem mal ou não gostarem de alguma coisa que tenha escrito, lido com isso. Lidamos. Como todos os pais lidam com os traumas que deixam nos seus filhos. Nenhum se escapa. Eventualmente acontece.
Preocupa-me mais que a Leonor leia o seu livro do bebé. Escrito a quente. Com sono. Sem perceber nada de ser mãe. Às apalpadelas. Preocupa-me muito mais não ter a certeza se sou boa mãe de um rapaz. Se cumpro as suas expectativas e se ele sabe que o admiro sem fim. Preocupa-me muito mais que a Luísa não tenha a atenção que merece e que às vezes a deixe demasiado à solta.
Preocupa-me muito mais o que se passa aqui em casa do que eles estarem mal desfocados. E se eles se zangarem comigo e se for importante para eles e algumas palavras os magoarem, estou aqui, como sempre. Sem filtros.

Comments

  1. Maria Ana,
    Comecei a passar por cá há uns anos... pelas partilhas de experiências, pelos sentimentos transmitidos, pelas inseguranças, pelas certezas... Pela companhia da maternidade de crianças em idades +/- próximas e +/- como eu...
    Pela admiração pela coragem e pela estrutura que permite fazer o que eu, de certa forma também gostaria...
    Pelo ver que também é possível...
    E tal como disse no outro blogue (que também sigo) Cada um cuida dos seus filhos da melhor maneira, aos seus olhos... Se um dia mais tarde eles não gostarem, e certamente não vão gostar de algo (não necessariamente relacionado com os blogues), vamos todos (cada uma com os seus filhos) ter que lidar com isso...
    Também tenho blogue, (e tive outros no passado) em que pontualmente coloco fotos deles, às vezes desfocado, outras não... Acho que maioritariamente eles não são visíveis... Mas lá está... também se podem chatear comigo... ou por aparecerem, ou por não se conseguirem ver... Como vão reagir no futuro, ao futuro pertence...
    Quanto ao resto... "os cães ladram e a caravana passa"...
    Beijinhos

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  2. Aqui em casa a questão da exposição dos miúdos foi uma das razões pelas quais mudei de conteúdo. Cada cabeça sua sentença. Mas o engraçado é que se alguns dos nossos filhos possam vir a reclamar porque se escreveu acerca deles, já haverá outros que irão reclamar de nunca se te escrito sobre eles, como se tivessem pouca importância, como se estivesse ausentes do nosso dia a dia, como se os tivéssemos apagado do registo da nossa vida. O meu filho mais velho, de 12 anos, pergunta-me isso mesmo. O nosso melhor, como pais, nunca será perfeito aos olhos dos outros, e também deles.
    Gosto de vir aqui e seguir A Mãe Já Vai, como Dias de Uma Princesa, Cocó na Fralda, ou A Mãe É Que Sabe... cada blogger e mãe com as suas decisões... as consequências também.
    (A Luísa está enorme. A Marina tem, se não estou em erro, mais ou menos a mesma idade: 19 meses.)

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