Menina


A menina corria atrás do pai. Tentava acompanhar os seus passos de gigante. Ele dava um e ela tinha que dar uns quatro até ficar perto dele. Sempre a rir. Esticava os braços para chegar até ao seu colo, ao seu espaço, ao seu coração. Saltava às vezes. Pulava. Estou aqui. Estou aqui. Sempre a rir. Andava atrás dele e ele olhando para trás chamando-a para que não perdesse a passada. A apressar o passo. A correr. Sempre a rir. E a cada passo crescia. Crescia. Até se tornar também ela gigante com pequeninos atrás dela. Da sua passada. Da sua voz. Para não os perder de vista puxou-os. Abrandou o passo. Esperou. Para não os perder de vista parou, olhou para eles e de mão na mão prometeu não andar mais depressa, não andar devagar e andar para sempre ao seu lado. Na sua passada.


Comments

  1. Por aí quero ir...
    Não à frente a chamar, nem atrás a empurrar... mas ao lado... sempre ao lado, de mão e abraço disponível...

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