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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

As nossas coisas

Cada um tem as suas coisas. As suas coisas que nos chateiam. As nossas coisinhas.
Coisas piores coisas melhores. Coisas que nos impossibilitam de viver por inteiro e coisas que nos empurram para outras coisas. Ou boas ou más.
A certa altura as nossas coisas perante pessoas que olham para a vida com perspectiva ou imensidão parecem-os absurdas. Perante a saúde. Perante os filhos. Perante o sol. Perante a chuva. Perante homens que levam a vida com vida, pessoas que se ultrapassam, a elas mesmas, a incapacidades, aos obstáculos. A certa altura as nossas coisas são queixumes tontos, caprichos e coisinhas de nada. A dor no pé. O risco no sofá. Os quilos a mais. As férias que não se conseguiu tirar. As nossas pequenas desilusões e frustrações.
Mas são as nossas coisas. Sempre válidas porque são nossas. Aprender a pôr a vida em perspectiva sem precisar de exemplos de grandes pessoas que nos põem a um canto só por terem existido - é a grande caminhada da minha vida. Não tem nada a ver com felicidade ou alegria. Tem a ver com aproveitar o que a vida,  o destino ou Deus nos deu.
Nem sempre é fácil e acredito que mesmo os grandes tenham as "suas coisas" mas talvez a maturidade nos vá dando a capacidade de arrumar no saco o que não interessa e levar conosco só aquilo que é bom, que nos faz bem, que nos quer bem.
Pessoas. Coisas. Sentimentos. Atitudes

In memory Stephen Hawking

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