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Apresentados

2020/2021

No outro dia o Zé Maria disse que o dia em que mudou de escola foi o pior dia de sempre. Nesse ano, mudaram todos de escola. A Leonor entrou para o primeiro ano, o Zé Maria para o segundo ano do pré escolar e a Luísa entrou na creche pela primeira vez  (e depois acabou por sair e ficar comigo mais um ano). Estávamos todos arrasados emocionalmente. Lembro-me que tive que deixar o Zé Maria e ficar com a Luísa na sala. Ele diz que chorou o dia todo. Nunca pensei que se lembrasse com tanto pormenor. Foi há 3 anos.  Está especialmente nervoso este ano. Vai entrar para o primeiro ano, depois de sete meses em casa. Diz que não quer ir apesar de todo o nosso incentivo e até da Leonor que adora escola e lhe diz que vai ser espectacular. Os meus filhos nunca foram de amar a escola. E eu sou forte promotora porque se for bom, é óptimo. A Leonor quando entrou com um ano esteve 15 dias sem comer e sem dormir. Diziam que ela estava muito apegada a mim, como se isso fosse mau. Como se ter estado com e…

É agora

É agora que mudo de emprego. Que assento. Que arranjo uma relação séria. Que faço aquela viagem. Que calço uns ténis e vou correr. Que ando de avião. Que faço uma dieta. Que mudo de vida.
É agora. É agora  que mudo o mind set. Que vou mais vezes à missa, que começo a meditar, que me inscrevo no ioga. É agora que começo a desacelerar, a olhar mais para dentro e menos para fora. Que me esforço para ser melhor. Que exijo menos.
É agora.
É agora que ganho coragem. Que salto. Que vou em frente. Que cumpro a promessa, que cumpro o plano. Que monto a prateleira,  que pinto a parede de amarelo, que adopto um animal.
É agora.
A vida atropela-se e quando se pára os "é agora" são tantos que não há por onde começar.
O saco vai enchendo e a lista de coisas para fazer vai aumentando, vai-se amontoando.
O meu saco vai tendo algumas destas resoluções e às vezes vou riscando algumas delas da lista.
Algumas são constantes em mim.  É agora que vou confiar mais em mim,  ser forte e segura. E também - muito mais superficial ou talvez não - é agora que me vou sentir bem com o meu corpo.
Ultimamente tenho tido muitas segundas feiras de "é agora" e muitos fins de semana a estragar tudo e por isso há mais de 6 meses que ando num pára arranca insatisfeita com a minha força de vontade e com o meu esforço sempre quebrado por um momento qualquer de cansaço, de stress,  de seja aquilo que for.
Sei toda a teoria que preciso saber para viver saudável, estável, feliz, mas estou sempre a ignora-la e à certeza de que quando não estou bem fisicamente também não estou bem por dentro.  Porque duram os "é agora" - aparentemente tão importantes - tão pouco tempo? O que nos impede de seguir em frente com coisas aparentemente tão simples e que nos podem mudar a vida?
Pintar a parede de amarelo. Calçar os ténis. Comprar um bilhete de avião. Ir.

(Este post foi escrito a pensar em mim mas também em vocês. Qual é o vosso "é agora"?)

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