E quando eles crescerem?

Um dia eles vão ser grandes e não vão precisar de mim. Se tudo correr bem. Vão tirar o seu curso e/ou arranjar o seu emprego, vão viver para fora ou com amigos ou sozinhos. Vão casar. Um dia a casa vai estar sem eles e por mais duro que seja imaginar, vai ser - naturalmente - uma casa vazia. Isso não me preocupa nada. Sair de casa é agridoce para todos. Mas também é para isso que os pais se preparam: para a naturalidade da vida.
E eu?
Que pessoa vou ser daqui a 15 anos quando eles não precisarem que os vá buscar à escola, os leve ao médico ou ao ballet e ao futebol?
Quando o fim de semana for sinónimo de filhos na rua?
Não vejo os meus filhos como um investimento. São tão meus filhos como do pai e estamos os dois a fazer o melhor que podemos e sabemos por eles. Cada um com o seu tempo, a sua disponibilidade mas somos os dois 100% pais deles. Não é um investimento estar em casa. É uma espécie de esperança que disto saia uma coisa boa. Mas pode ser tudo ao lado... sei lá eu... sabemos lá nós.
E se eu não tiver um rasgo de luz , uma ideia inovadora, um talento escondido que me dê dinheiro, ocupação e auto estima? E se não me reinventar?
A certa altura o que fazem as mães e os pais quando os filhos vão à sua vida e não há um emprego que os distraia, que os sustente?
Sim, claro. Para trazer dinheiro para casa faz-se qualquer coisa mas o que saberei fazer nessa altura? E que me faça feliz? Quem me dá emprego? Quando é que decido que já chega? Que a partir de agora eles podem ser como a maioria das crianças deste país que tem os dois pais a trabalhar, muitas vezes até tarde?
Estar em casa há quase 7 anos - bolas tanto tempo - ensinou-me mais do que qualquer livro. Sobre eles e sobre mim e nem um dia foi tempo perdido. Todos os dias ganhei. Aprendi. Cresci. Todos os dias testei as minhas capacidades,  as minhas forças e os meus limites. Embora muitas vezes parecesse frágil por fora nada me tornou mais forte do que eles. Nada o faz.
Mas o que se ganha destes anos só o futuro dirá. O que eu ganhei sei bem. Está no meu coração. 
Mas dá um medo, não é medo do silêncio nem da paz nem do tempo para viajar e descansar e namorar. É um medo maior. De depois disto tudo ficar de mãos atrás das costas, sem saber o que lhes fazer.

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