Amor de pegar e guardar

O nosso amor é tanto. Quando somos pais o amor é de tal forma que vivemos até com receio. Parece demais o tamanho do amor que se tem por um filho. Há medo associado. Medo de perder e uma vontade imensa de viver cada segundo.
E falamos muito desse amor. De como é fácil,  incondicional, de como sobrevive a tudo. Aos primeiros anos, às grandes provações e provocações, aos desafios. À adolescência e aos incontáveis  "não gosto de ti", os ditos e os não ditos.
Falamos do amor que sentimos por eles que não tem conta. Nem forma. Nem tamanho. Nem tempo. É infinito. 
O amor deles por nós, só podemos adivinhar e calçar os seus sapatos, pensando no quanto amamos os nossos pais.
É acima de tudo responsabilidade pensar nesse amor. A maneira como eles nos olham demonstra muito mais do que as palavras. É vê-los. Agarrados ao nosso pescoço. Admirados com a nossa força,  incrédulos quando sabemos tantas coisas. De olhos a brilhar quando nos vêem chegar à escola. Quando os acordamos de manhã. Os deitamos. Este amor que sentem por nós é também é enorme e aproveita-lo é obrigatório. Sabemos que é eterno mas que a intensidade vai variando ao contrário da nossa, pais que amamos apesar de tudo e independentemente do quer que seja. Querido, a mãe adora-te embora faças chichi na cama todos os dias, não me deixes dormir e me tenhas chamado coisas horríveis à frente do senhor do café. Mãe eu odeio-te. Porque sim. 

O amor deles deve ser tão aproveitado como o "ódio" desvalorizado. Não é que o amor passe e que o seu ódio às vezes não tenha a sua razão de ser como tem tudo aquilo que sentem. Mas o amor... É de agarrar com unhas e dentes. Com todos as mãos e braços. Este amor deles por nós é de pegar, guardar a sete chaves e lembrar para todo o sempre. 

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