} Avançar para o conteúdo principal

Apresentados

Episódio 1 - O espelho

Tinha à volta de 40 anos quando se começou a aperceber da vida. Ao mesmo tempo que parecia cedo, também lhe parecia tarde.Até lá, corria tudo com mais ou menos problemas, mais ou menos histórias para contar. Todas essas pequenas histórias se juntaram naquele dia para lhe mostrar a pessoa em que se tornou. Não era mal nem bem. Era aquilo.Cada bocadinho de história ia dar ali. A um corpo. Custava estar de frente para si mesma e pousar em cada assunto de si. Tinha de ser. Era hora. Aquele momento parecia-lhe uma corrida de carros, cada instante a passar mesmo ali à sua frente.O nascimento, a sua infância, a morte dos avós, separações, mudanças, casamento, filhos, trabalho… Um atrás do outro a juntar-se em monte numa só pessoa.Parecia-lhe muito. Não demais, mas muito.Percebeu também que cada memória tinha um peso e era perfeitamente capaz de as dividir. As leves acabavam por ser as que ocupavam um espaço mais importante, as gargalhadas, os passeios na praia, as coisas que não se compartim…

Amor de pegar e guardar

O nosso amor é tanto. Quando somos pais o amor é de tal forma que vivemos até com receio. Parece demais o tamanho do amor que se tem por um filho. Há medo associado. Medo de perder e uma vontade imensa de viver cada segundo.
E falamos muito desse amor. De como é fácil,  incondicional, de como sobrevive a tudo. Aos primeiros anos, às grandes provações e provocações, aos desafios. À adolescência e aos incontáveis  "não gosto de ti", os ditos e os não ditos.
Falamos do amor que sentimos por eles que não tem conta. Nem forma. Nem tamanho. Nem tempo. É infinito. 
O amor deles por nós, só podemos adivinhar e calçar os seus sapatos, pensando no quanto amamos os nossos pais.
É acima de tudo responsabilidade pensar nesse amor. A maneira como eles nos olham demonstra muito mais do que as palavras. É vê-los. Agarrados ao nosso pescoço. Admirados com a nossa força,  incrédulos quando sabemos tantas coisas. De olhos a brilhar quando nos vêem chegar à escola. Quando os acordamos de manhã. Os deitamos. Este amor que sentem por nós é também é enorme e aproveita-lo é obrigatório. Sabemos que é eterno mas que a intensidade vai variando ao contrário da nossa, pais que amamos apesar de tudo e independentemente do quer que seja. Querido, a mãe adora-te embora faças chichi na cama todos os dias, não me deixes dormir e me tenhas chamado coisas horríveis à frente do senhor do café. Mãe eu odeio-te. Porque sim. 

O amor deles deve ser tão aproveitado como o "ódio" desvalorizado. Não é que o amor passe e que o seu ódio às vezes não tenha a sua razão de ser como tem tudo aquilo que sentem. Mas o amor... É de agarrar com unhas e dentes. Com todos as mãos e braços. Este amor deles por nós é de pegar, guardar a sete chaves e lembrar para todo o sempre. 

Comentários