Como decidi viver o pós parto

Vi uma publicação no Instagram de uma mãe - figura pública - que tinha sido mãe pela primeira vez com um corpo invejável e que eu nunca tive sequer quando estava no auge da saúde e antes de ter filhos.
Achei incrível e tive uma certa inveja. De facto quem me dera ter tido uma vida de dedicação ao meu corpo que depois fosse só deixar os dias passar para tudo voltar ao normal. Não tive.
Nessa publicação essa mãe dançava. 5 dias depois do seu primeiro parto.
Demorei 10 dias a conseguir sentar-me depois de ter nascido a Leonor.
A comparação entre mim e ela nem sequer se coloca, nem sequer faz sentido. Por tantas e tantas razões. Somos diferentes geneticamente, ela dedicou - e bem - muito mais do seu tempo ao desporto e à sua condição física, os nossos partos não foram iguais, nem a nossa gravidez, etc etc etc.
A condição dela não me incomoda nem um pouco. Fico feliz por ela, deve ser muito mais pacífico encarar a maternidade fisicamente bem.
Mas pus-me a ler os comentários. Erro, eu sei.
A certa altura alguém diz: "quando vir aquelas mães que depois de darem à luz ficam 3 meses de molho vou mostrar- lhes este vídeo".
Boa decisão, pensei. Porque as mães que se vêem obrigadas a ficar de molho 3 meses porque o seu corpo se atreveu a não corresponder às expectativas ou simplesmente porque são pessoas diferentes, ou porque têm um nível de energia diferente merecem o castigo de serem confrontadas com super mães que recuperam com uma perna às costas.
Não há culpas aqui.
Nem de quem recupera bem, nem de quem demora o seu tempo.
E cada pessoa vive o seu pós parto à sua maneira. A mim nunca me passaria pela cabeça dançar com tanta energia 5 dias após um filho meu nascer. Embora estivesse muito bem fisicamente - sem dores - nos meus dois últimos partos, não tinha essa energia e nem sequer essa predisposição.
O que me apetecia, embora se tivesse tornado cada vez mais difícil, era mesmo o sofá. Ficar de molho. E não me sinto nem um bocadinho culpada por isso.
Se fosse hoje e por melhor que estivesse aproveitava ainda mais o ninho e o namoro e o "não fazer nada". Cada mulher vive o seu pós parto como pode, quer, consegue.
É uma fase de grande mudança, quer se esteja melhor ou pior, com mais ou menos energia, mais ou menos quilos, mais ou menos pontos.
A forma como se decide viver esses primeiros dias ou primeiros meses é só nossa, de cada mãe, de cada corpo, de cada bebé e de cada casa.
Olhar para o lado não serve de nada, a ninguém.

Comentários

  1. 100% de acordo. Esse tipo de comentários vem, normalmente, se quem não teve filhos ainda. Ter um filho é uma "violência" fisica e emocional. Se algumas pessoas têm a sorte de recuperar tão bem, fixe para elas, mas respeitem os comuns mortais que precisam de sofá e molho e ajudas, muitas ajudas! Cá para nós - o que será que a Rita Pereira foi fazer depois deste video? Atirar-se para a cama?? Chorar que nem uma perdida? Sabemos lá.

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