O que aprendi em 4 anos. Parte I

Quem me segue desde o início sabe como começou o blogue. Ao contrário do que muitos julgam comecei de forma comercial. Uma parceria entre mim e o meu PT. O acordo era muito simples, eles disponibilizavam-se para me ajudar a ficar em forma e eu para os promover nas redes sociais. Assim nasci como Blogger fez agora 4 anos. De uma permuta de que ainda hoje me orgulho. 


Na altura andava um bocado aos papéis e não entendia muito sobre isto. Só seguia dois blogues "para a nossa idade', o da minha irmã e o da Ana Garcia. 

À parte do exercício físico comecei a falar sobre maternidade. Família. Sobre amor. Acho que acima de tudo sobre amor. Sobre a resistência das mães, sobre os dilemas, sobre a logística e as dinâmicas.

Engravidei da Luísa e escrevi um livro. 

A certa altura as marcas começaram a ter interesse em enviar-nos produtos para experimentar e divulgar. Não era muitas vezes contactada por agências, mas directamente pelas marcas. Na sua maioria pequenas marcas com quem criava ligação pelo que escrevia. 

Só quando a Luísa fez um ano, 3 anos depois do blogue começar, fiz um trabalho pago. 

Hoje as coisas estão diferentes. Há muitas agências de comunicação. Muitas Bloggers e muitos produtos e serviços a comunicar. Há até um certo frenesim.

Há muita vontade em ser Blogger, Instagramer e ou Influencer. Esta enorme oferta e também muita necessidade de comunicar muita coisa saturou um bocadinho o mercado a meu ver. Agências low cost e também algumas grandes agências que pagam 25€ por activação e pessoas disponíveis a trabalhar por isto. Ou por menos. Ou por nada. 

Quando há agências por detrás de grandes marcas que nos convidam para fazer um trabalho em troca de nada existe pressão, acreditem. Para as pequenas bloggers há medo de fechar as portas, que nunca mais nos contactem, que pensem que somos umas divas. E às vezes há também a tentação de aceitar estar relacionado com uma grande marca mesmo que pague muito mal por achar que isso nos valoriza como Blogger. Errado. É exactamente o oposto. 

Demorei algum tempo a aprender a dizer que não. E não é por estar mais rica, mas por ter entendido que o meu trabalho tem valor, o meu tempo tem valor, os meus textos, as minhas fotografias e o meu impacto - ou não me contactavam - tem valor.

Tem o mesmo valor que o de qualquer outra pessoa independentemente do número de seguidores. 

Blogues pequenos são grandes nichos. Vão certeiros ao público alvo, na mouche, impactam quem têm que impactar e isso de uma maneira muito estranha não é às vezes considerado. 

Compreendo que o valor monetário do meu trabalho seja menor do que o de uma actriz conhecida ou de quem quer que seja com 150 mil seguidores e/ou um impacto social grande (embora isto seja relativo) mas o meu trabalho vai ser exactamente igual ao dela. Porque é que não mo pagam? É engraçado perceber que as propostas a custo zero são apenas enviadas para Bloggers de pequena dimensão e nunca para actrizes músicos modelos ou figuras públicas, o que não deixa de me encanitar. Não é a proposta de valor que me chateia, mas a diferença entre alguma coisa e nada. Não me parece nada justo. E não é. 

Em nenhuma outra área que não a digital - que eu saiba - se trabalha em troca de nada ou de  "prestígio hipotético". 

Acredito também que se existirem mais nãos do que sins a trabalhos em troco de nada, a tendência se reverta a determinada altura. Que as marcas vejam também que nós somos realmente consumidores dos seus produtos e não um mero transporte de comunicação. 

Demorei 4 anos a entender isto, que falta de inteligência era dizer que sim a tudo, querer agradar e ter medo de fechar portas. 

Continuo no meu caminho 4 anos depois cada vez mais certa que é de honestidade que as pessoas gostam e nada mais. Nunca duvidei disto. 

Neste caminho tenho vindo a afirmar o meu posicionamento, a criar amizades boas com pessoas boas em boas agências de boas marcas. Tenho vindo também a perceber que o que interessa no final de tudo é só mesmo a nossa essência e que podem existir dúvidas, que se falha às vezes. 

O que interessa é aprender e seguir caminho e levar a bagagem às costas, porque ela no futuro nos servirá de muito.

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