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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

A família começa em nós

Há 10 anos fomos de lua de mel. Para as ilhas gregas. Foi possivelmente a melhor viagem da minha vida.
Nunca tinha passado tantos dias seguidos com o meu marido e isso até é estranho porque de repente ia viver com esta pessoa com quem estava há pouco mais de dois anos mas que na realidade não conhecia os hábitos que só se conhecem quando se vive, se convive. 
Quando regressámos criei um álbum para as nossas fotografias e dei o nome de "Primeira lua de mel". 
A última viagem que fizemos juntos foi há 8 anos, comigo grávida da Leonor. À Costa Rica. 
Nunca pensei que não voltassemos a viajar os dois. Aliás, o primeiro fim de semana só os dois aconteceu já com 3 filhos. Parece impensável. Mas é a verdade. 
Primeiro os filhos bebés. Que não dormiam. Que não ficavam bem sem ser connosco. Dar de mamar. Depois outro filho e os mesmos motivos. Depois a terceira filha e esses motivos e mais alguns. O tempo, o trabalho a logística, o orçamento. 
Tudo junto. 
Quando demos por nós tinham passado mais de 8 anos sem estarmos mais de 2 dias longe deles. 
Não é o fim do mundo até porque eles são incríveis e não há nada que me faça mais feliz do que estar com os meus filhos.
Mas a certa altura eles começam a crescer. Já ninguém está a mamar, já ficam bem com os avós, e os 10 anos de casados parecem um bom motivo para ir. Um motivo óptimo aliás. 
Isto caiu-me um bocado em cima até porque sei que enquanto eles são bebés por mim não há motivo algum para os deixar, só os quero por perto e sou das que (não me importo de admitir) acha que eles só querem estar perto das mães. 
A verdade é que achei que ia haver espaço nos entretanto para uma viagem aqui e outra ali, lá fora ou cá dentro, e não houve. 
Dia 27 fazemos 10 anos de casados, vamos festejar o nosso casamento e também os nossos filhos, fazer planos, falar sem interrupções, passear de mão dada, e ficar de papo para o ar, tal e qual a nossa lua de mel. 
A minha intenção para o futuro é que a próxima viagem não seja daqui a 10 anos, que consigamos encaixar isto, nós os dois, nos planos da família.
Tudo o que é de todos começa em nós, e disso não me quero esquecer. 





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