Procura-se anel de noivado

No dia 25 de Outubro de 2008 o António, na altura meu namorado levou - me a passar o fim de semana à Quinta das Lágrimas. Estávamos juntos há um ano e 10 meses. Passámos o dia a passear e à noite descemos para o restaurante do hotel para jantar. O chefe de sala que já conhecíamos bem disse que não havia mesas e que o restaurante estava completamente cheio. Se nos importavamos de jantar no quarto.

O António ficou um bocado chateado e eu feliz. O nosso quarto era num torreão lindo. O quarto 52 no meio do jardim. O Quarto Pedro &Inês.




Voltámos para o quarto e já estava a mesa toda posta, vinho servido e nem assim me apercebi. Estava feliz com aquela surpresa e tanto aparato. Acho que nunca ninguém tinha feito alguma coisa assim tão romântica por mim. 
O António levanta-se ainda durante a entrada e vai ao armário de onde tira uma meia, da meia tira uma caixa e da caixa tira um anel.
De joelhos pergunta se quero casar com ele e não faço ideia se mais alguma coisa porque a adrenalina fez desaparecer a memória. 
O anel era lindo, completamente a minha cara, original, bonito, perfeito e feito a pensar em mim. 

Com a ajuda da irmã foram juntos à joalheira Maria João Bahia que fez muitas perguntas acerca de mim e depois de perceber como eu era desenhou este anel. E acertou em cheio.
A partir desse minuto, o anel tornou-se símbolo de tudo o que vivemos até ali.

Passaram quase 10 anos desde o casamento desde o nosso dia e esse anel tornou-se o anel para as ocasiões especiais, o anel que nos representa, o anel que sempre guardei com carinho, o anel para que olho para me lembrar do dia do nosso casamento, para me lembrar do nosso amor, para me lembrar de todas as coisas que vivemos, para me ajudar a superar as dificuldades, para me fazer lembrar daquilo que realmente importa em nós. 

De um dia para o outro o meu anel desapareceu. Talvez não seja importante dizer como nem quando mas apenas que já não o tenho. 




Não usava o anel todos os dias pela sua fisionomia que não era ideal com filhos pequenos, por isso tornou-se ainda mais especial. Quando queria pensar em mim e no António como marido e mulher e não com pai e mãe punha o anel. Quando queria lembrar-me de nós há 10 anos com toda a magia que o tempo deixa para trás, punha o meu anel. 
As coisas têm muito pouca importância. Não tenho nada de valor em minha casa, mas mesmo nada. Não tenho jóias, não tenho ouro, não tenho grandes tecnologias, não tenho gadgets, não tenho roupas de marca, não tenho electrodomésticos topo de gama. Mas tinha aquele anel. 
Não sei quanto custou nem quanto valia mas sei que era a coisa mais importante e valiosa que eu tinha. 
O meu anel desapareceu de um dia para o outro e a probabilidade é que nunca mais o volte a ver. Parece tonto chorar por um anel mas a verdade é que já chorei muito, porque me roubaram um dos momentos mais bonitos da minha vida e um lugar para onde posso ir sempre que preciso de nós
Pode ser que ele ande por aí à espera de ser comprado por alguém que não saberá a sua história. Provavelmente vai ser vendido por muito menos do que aquilo que vale porque nem todo o dinheiro do mundo serveria para pagar o que ele representa.
Não vai estar perdido numa gaveta nem aparecer no quarto dos brinquedos e custa-me muito aceitar que me tenham levado aquele gesto nervoso do meu marido, a abrir a caixa ao contrário e um dos momentos mais bonitos da minha vida. 
As coisas são só coisas e tenho noção disso. Mas há coisas que são do coração e mexer assim com ele, não se faz a ninguém. 
Se o virem, digam-lhe para voltar. 
(desculpa meu amor, devia tê-lo guardado a mil chaves, como guardo o nosso amor).

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