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Apresentados

2020/2021

No outro dia o Zé Maria disse que o dia em que mudou de escola foi o pior dia de sempre. Nesse ano, mudaram todos de escola. A Leonor entrou para o primeiro ano, o Zé Maria para o segundo ano do pré escolar e a Luísa entrou na creche pela primeira vez  (e depois acabou por sair e ficar comigo mais um ano). Estávamos todos arrasados emocionalmente. Lembro-me que tive que deixar o Zé Maria e ficar com a Luísa na sala. Ele diz que chorou o dia todo. Nunca pensei que se lembrasse com tanto pormenor. Foi há 3 anos.  Está especialmente nervoso este ano. Vai entrar para o primeiro ano, depois de sete meses em casa. Diz que não quer ir apesar de todo o nosso incentivo e até da Leonor que adora escola e lhe diz que vai ser espectacular. Os meus filhos nunca foram de amar a escola. E eu sou forte promotora porque se for bom, é óptimo. A Leonor quando entrou com um ano esteve 15 dias sem comer e sem dormir. Diziam que ela estava muito apegada a mim, como se isso fosse mau. Como se ter estado com e…

10 dicas úteis para estes dias

Estamos todos a fazer o nosso melhor, por um bem comum. No fundo para termos a nossa liberdade de volta e tudo o que vem com ela. Alguns fazem - no em melhores condições e não podemos achar que estar em casa é simples para todos. Para alguns é estar sozinho, é não receber ordenado e os os cenários são muito diferentes, famílias numerosas, pais com filhos únicos, bebés recém nascidos, filhos adolescentes, Home School, no school, teletrabalho, pais que saem para trabalhar, filhos na creche. Há de tudo. Em todos os casos acho importante que se baixem os níveis de exigência no geral. Para connosco e também com os nossos.
Por isso aqui vai e com base na minha experiência e no que temos vivido cá em casa, as minhas 10 dicas úteis para sobreviver com sanidade a estes dias. Ordem aleatória. 

1. Priorizar
Há coisas que deixam de ser tão importantes. Não me cabe a mim dizer o quê mas entendam o que pode ficar para depois nas vossas rotinas. Se calhar não é preciso passar a ferro todos os dias nem aspirar todos os dias ou arrumar os armários todos em 5 horas. Temos tempo. 

2. Escolher guerras
Vamos ter que fechar os olhos a algumas coisas. Principalmente quando há filhos que brincam, desarrumam, espalham. Acho importante que eles percebam que todos têm que ajudar e que esta é uma altura para trabalhar em equipa mas às vezes mais vale apanhar o lego do chão e seguir caminho. E se for preciso falar sobre isso depois. 

3. Pedir ajuda. 
Estar fechado em casa implica que todas as tarefas sejam feitas por nós. Pedir ajuda nesta altura é subjectivo mas há empresas que cozinham para fora a preços acessíveis e ter um ou outro prato guardado no congelador pode significar uma folga. Caso o vosso orçamento vos permita fazer isto compensa mais do que encomendar Fast Food que só dá para uma refeição. 
Comprar online. As encomendas não estão fáceis mas na verdade se encomendarem para daqui a 15 dias nessa altura será menos uma em que terão que sair. 
Aproveitar os serviços online. Bancos. Lojas. O que precisarem. A maioria delas está a actuar com toda a segurança deixando encomendas e compras nos halls dos prédios. 
Caso possam liguem para as vossas mercearias. Há muitas a funcionar assim. Pedem o que precisam e eles preparam tudo. Depois é só pagar, pegar e levar. 

4. Somos pais. Não somos professores. 
A maioria de nós já não tem contacto com a matemática desde a faculdade. E já nem nos lembramos como é que se faz uma conta de dividir quanto mais ensinar aos nossos filhos no ambiente da casa. 
Falem com os professores para fazerem as coisas de modo autónomo. Em que não precisem constantemente dos pais para fazer fichas e trabalhos complicados. Não é suposto que os pais estejam presentes como um professor, nem suposto, nem possível. 

5. Organizar mas sem exagero
Organizar os dias é bom mas basta ter filhos para que rapidamente os nossos planos se alterem sem sabermos bem como. E isso pode causar stress. Na verdade só o que tem hora (aulas por exemplo) é que interessa cumprir, o resto se fugir ao esperado não é tão grave assim.

6. Simplificar 
Isto serve para tudo. Na cozinha, nas brincadeiras, na gestão da casa. 
Às vezes mais vale ver tranquilamente um filme na sala do que montar uma mega actividade à pressa e carregada de stress. Comer sandwiches (se tiverem pão fresco, por aqui não temos conseguido) do que sujar 10 panelas. 

7. Ouvir
São tempos confusos. As crianças estão confusas e às vezes arranjam maneiras esquisitas e irritantes de exteriorizar o que sentem. As birras, a histeria, a insolência às vezes, o silêncio fazem parte deles e nestas alturas pode estar mais à flor da pele. 
Perguntar como estão é tão simples como isso. Ir percebendo o que sentem, o que lhes faz falta, o que gostavam de fazer para melhorar e falar sobre nós e o que estamos a sentir para que se sintam também mais acompanhados. 

8. Estar sozinho 
Para quem sente necessidade de estar sozinho é importante criar espaço e tempo para o fazer. Seja para o que for. Ler, escrever, meditar, fazer ginástica, dormir, ver televisão, não fazer nada. A nossa sanidade está a ser posta à prova e por isso é importante fazermos o que for necessário para a manter. Se estar sozinho for uma necessidade então reclamem-na e permitam-na aos outros. 

9. Concretizar 
Há muitos projectos que ficam por concretizar no nosso dia a dia. Estar em casa não significa necessariamente ter mais tempo mas fazer as coisas a um ritmo diferente. Pendurar o quadro que está no chão há um mês, mudar mobília, iniciar um projecto fechado na gaveta, ajudar uma instituição que precise, começar a fazer exercício, ajuda a ver cumpridos objectivos e a sentirmo-nos concretizados. 

10. Desligar
Desligar tudo o que (vos) faz mal. Seja televisão, seja de páginas nas redes sociais que não nos inspiram ou que nos trazem sentimentos menos bons, seja das tecnologias. A informação e a contra informação podem tornar-se pesadas e ajudar à confusão. Protejam - se disso se notarem que não vos faz bem. 

Boa sorte para todos aí em casa e deixem aqui as vossas ideias para que estes dias corram melhor. 

Um beijinho 
Maria Ana 

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