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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Festa da escola

A minha filha, que tem vindo a ser cada vez menos tímida à medida que cresce, fez de ratinho da Cinderela na festa da escola.
Tinha umas orelhas, um nariz e bigode pintados, um lenço na cabeça, uma cauda por fora da saia.
O papel dela era para a idade. Dançar e andar à roda.
Estava feliz, orgulhosa e não tirava os olhos de mim que estava feliz, orgulhosa e não tirava os olhos dela.
Há qualquer coisa de absolutamente comovente de os ver ali, fortes, com o papel decorado, minúsculos a serem grandes, perderem a vergonha,  a superarem-se.
Este orgulho é muito maior que tudo o que ali estão a fazer.
Mesmo quando não fazem nada estamos com aquela cara de pais de filhos nomeados ao Óscar.
Já ganhaste, ratinho.


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