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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

A cara deles.

Recebi ao longo deste ano, algumas mensagens a perguntar porque não mostro a cara dos meus filhos. Se tenho medo de os expor, a perguntar o porquê.
Não vejo mal nenhum em publicar fotografias dos filhos, sinceramente. Até certa medida, claro. Sempre protegendo a intimidade deles. Faço-o nas minhas redes mais pessoais e penso sempre ou tento pensar na possibilidade de um dia eles poderem vir a não gostar que os mostre a chorar, que os mostre doentes, que os mostre sem dentes ou em situações que a nós nos parecem sem maldade mas que a eles, um dia podem vir a incomodar. Mas não condeno quem, em sua consciência o faz.
Quando iniciei este blog, escolhi, numa decisão conjunta com o meu marido não mostrar de forma explícita a cara deles.
Aparecem de perfil, desfocados, de costas. E não porque esteja obcecada em proteger a sua identidade mas porque escolhi ter um blog que fosse centrado em mim, dedicado às mães e não centrado nos meus filhos.
Publicar fotografias deles possivelmente acabaria por me afastar do meu objectivo e das minhas ambições para este blog.
O conteúdo seria provavelmente menos pensado e menos planeado e as rotinas deles passariam a ser comuns, partilhadas, banais. Perderia o meu filtro.
Sigo inúmeros blogs em que as crianças aparecem ou são essencialmente sobre elas e não tenho absolutamente nada contra, antes pelo contrário, até porque faz sentido, nesses blogs que apareçam. E a verdade é que adoro vê-las, vê-las crescer e ver como as pessoas ganham carinho pelos mini bloggers.
Para nós, e para a essência do blog, o que o fez começar e o que o faz continuar, é coerente que os mantenhamos assim, de relance neste desafio.
Às vezes, muitas vezes, apetece-me mostrar e partilhar momentos verdadeiramente especiais como os anos, Natal, expressões deles que sinto serem imperdíveis, até a voz deles, quando cantam ou contam histórias, mas... 
Principalmente porque vamos ganhando amigos, pessoas do costume com quem nos apetece partilhar as coisas boas.
Sei, que por ter decidido este formato, perco algum público porque toda a gente gosta de ver miúdos queridos e os meus até são (!!!) mas ganho um público que me segue mais pelo que escrevo e digo. Pelo menos, é essa a minha ambição e também a minha esperança.
Também espero conseguir sem imagens, transmitir aquilo que sinto por eles, aquilo que me fazem ser, o que me ensinam, o que me fazem rir e os bocadinhos dos nossos dias, das nossas rotinas e dos nossos momentos.
Obrigada a quem está desse lado, apesar disso ou para além disso.
E espero que (me) percebam.

Comentários

  1. Olá, também tenho um blogue em que optei por não mostrar a cara da minha filha. Já coloquei uma foto ou outra em que se pode ver um pouco mais mas, em geral, tento colocar fotos de costas ou de perfil.
    Faço-o apenas por não saber como pode reagir mais tarde e, na dúvida, prefiro proteger a sua privacidade. Claro que não julgo quem o faz, não me cabe fazê-lo, mas para mim essa é a solução que serve.

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