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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

As mães dos bebés que não dormem.

Tive os dois mundos. Uma filha que não dormia.
Tinha alguma facilidade em adormecer e muita dificuldade em dormir algum tempo seguido.
Um filho que sempre precisou de dormir e adormecia com muita facilidade.
Mas o sono deles hoje, já mais crescidos permanece muito semelhante ao seu sono de bebés. O da Leonor com interrupções, pesadelos, é um sono muito agitado. O dele é directo. Nem um som desde o momento em que se deita até ao momento em que acorda. As sestas duram 4 horas se o deixarmos.
Se nos dois houve influência nossa ? Talvez. Andávamos aos papeis na primeira, mais confiantes no segundo. E a terceira?
Não seria de esperar que já viesse ensinada?
Que dormisse que nem um anjinho,  que não se importasse com barulho, que ferrasse em qualquer canto.
É claramente isso que é esperado dela.
Mas ela não é assim.
Às vezes sinto que tenho que a desculpar. Ou a mim.
Quando nasceu a Luísa tinha muitos gases. Durante um mês e meio só dormiu bem de barriga para baixo e de barriga para baixo só podem dormir ao colo. À noite o seu sono era agitado e se dormisse no meu colo era um sono santo. Assim que acalmava ia para a sua cama onde normalmente dormia bem.
Cheguei a dizer que era uma santa. come e dorme.
Havia esses dias e essas noites que era só comer e dormir e outras em que precisava de mais colo e eu dei. Como sempre hei de dar.
Se esse colo cria hábito? É provável.
Se esse colo salvou os banhos dos outros dois, os jantares dos outros dois, o fazer o jantar dos outros dois,  contar a história aos outro dois, arrumar a cozinha,  estender roupa, fazer camas, falar ao telefone, conversar, ver televisão, escrever de pé e manter a sanidade. Sim. Salvou.
Se comprometeu o futuro do sono dela? Não sei. E espero que não.
Espero que à medida que cresce e que ganha confiança, autonomia e eu traquejo para lidar com três filhos que se deixe dormir sozinha, sem estar colada a mim.
Se me sinto culpada? Às vezes sim. Mas desculpo-me. Mais uma vez nada é perfeito. A Luísa,  a número três não nasceu ensinada e a mim não me chegaram três para aprender.
E por mais incrível que seja continuo a acha-la uma santa.
Coisas de mãe...
Luísa com 4 dias

Nota: quando adormece à noite,  a Luísa dorme realmente bem chegando a fazer 8 horas seguidas de sono.

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