} Avançar para o conteúdo principal

Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Nunca mais vou ter mais filhos

Nunca tinha pensado que a certa altura iria pensar nisto.
O nosso número de filhos é e será 3. Não porque seja a conta que Deus fez mas porque este número de filhos está certo nas nossas contas. Nas contas do nosso coração,  do nosso orçamento e da nossa disponibilidade. E às vezes este número é enorme quando nos falta o dinheiro o tempo a paciência o espaço e  outras, está simplesmente perfeito. 
Assim decidimos em casal que não teríamos mais filhos e estamos em absoluta paz.
Escusado será dizer que os que temos nos enchem as medidas. Mas na verdade sempre encheram quando eram só um ou depois dois e houvesse mais filhos sei que seria exactamente igual.
O que nunca tinha pensado - porque o tempo passa depressa demais para parar e pensar - é nas últimas vezes de tudo.
Nunca mais vou estar grávida. E eu não adoro estar grávida. Mas adoro ecografias e sentir o bebé a mexer. A ligação que se cria. Nunca mais vou gerar um filho, comer bem por ele, fazê-lo crescer na minha barriga, nem vou passar por um parto. E eu adoro os partos.
Não vou fazer nascer mais ninguém. O primeiro choro.
Passar aqueles dias no hospital, só nós,  esse namoro.
Nunca mais vou dar de mamar e vou ter tantas mas tantas saudades dessa ligação e desse privilégio.
Há coisas que não vão voltar a acontecer e custa assumir essa decisão quando se pensa realmente no que não volta a acontecer.
Depois há tudo o resto que se ganha.
Compensar a decisão com o que nos fez tê-la: passar tempo, ter tempo, ver crescer devagarinho.
Há o que há de vir.
E há tudo aquilo que são. Pequeninos e enormes em nós. Perfeitos. Um. Depois o outro. E depois o outro. Exactamente como tinha de ser.

Comentários

  1. Eu também sou mãe de 3. Mas ainda não consigo tomar essa decisão e ficar em paz. O marido não quer mais, por todos os motivos que enumeras, mas eu gosto tanto, mas tanto de estar grávida, de dar de mamar, de os sentir a mexer, de ficar a contemplar eternamente... mas depois existe a falta de tempo, a parte financeira, a vida agitada... é um turbilhão de sentimentos contraditórios.. mas gostava tanto de ter o meu 4º bebé, provavelmente o meu 4º rapazinho :)

    ResponderEliminar
  2. Como eu me revejo em todas estas palavras... Apenas tenho dois e sinto o mesmo! É tão bom estar grávida... ter todas aquelas sensações únicas de mãe e filho! É realmente bom, MUITO BOM! Mas a vida agitada não é fácil... Bom post ;)

    ResponderEliminar

Publicar um comentário