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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Debaixo da asa

Não saiam daqui.
Não é o lugar mais seguro do mundo mas é aqui que vos vejo, vos amparo, vos protejo.
Não é o lugar onde não se magoam não ficam tristes não se desiludem mas é onde eu vos mimo vos amparo vos amo para que se sintam melhor.
Não saiam daqui para vos ver de perto à lupa,  para vos ver ao longe, livres.
Para vos ver crescer.
Para vos ensinar aquilo em que acredito e que quero que decorem e para vos decorar, a vocês, um a um em cada centímetro.
Cabem aqui, neste gancho, desde o primeiro dia e vão cabendo, todos e todos os dias. Neste espaço que é vosso. 
Tenham paciência comigo por vos querer debaixo da asa e se não souber disfarçar. Se fingir que não me importo quando me surpreendem com a vossa independência apesar desse vosso tamanho minúsculo. 
Estou sempre a dizer-vos para irem. Quero-vos a voar mais alto do que eu. Salta! Tem coragem! Sem vergonha! Vai em frente! Não tenhas medo! És capaz! És forte! És inteligente! És bom...
E são, e vão, e saltam. E eu, quando não vos tenho debaixo da asa toda eu sou angústia e orgulho e sei que assim será sempre como ainda hoje os meus pais me sentem. A ver ao longe, a esperar o melhor, a querer que já fora da asa voem sozinhos e que nunca mas nunca se magoem. 
E quando se magoarem, estarei aqui, de braços abertos e prontos para o meu abraço.

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