} Avançar para o conteúdo principal

Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

Mãe.

Tem formas diferentes este amor.
Há quem o carregue durante 9 meses (ou quase) e há quem o encontre de outra maneira mas começa a partir do momento em que o sentimos. No nosso coração. 
É um amor como nada igual. Que apesar de tanta coisa que sofre, nunca diminui, só aumenta. Todos os dias. 
É um amor que se torna maior, mais forte e por esse amor compreendemos, aceitamos, aguentamos. Sorrimos.
Carregamos na barriga, às costas, aos ombros, no colo.
Limpamos as feridas, as lágrimas, as dores.
Movemos montanhas, derrubamos muros, levamos o mundo à frente se for preciso. Não olhamos a meios, ficamos cegas, intolerantes, inamovíveis, inabaláveis.
Choramos, desesperamos, desanimamos e arranjamos forças onde nem sabemos porque é o amor que vale a pena e que está lá, do dia um e até sempre. 
Tudo pode acontecer à sua volta, à volta desse amor que nem nos interessa, está lá, sempre.
Sobrevive ao cansaço, às hormonas, aos desequilíbrios, às faltas, às perdas.
E é um amor tão simples, tão puro. Que se alimenta de pequeninas e enormes coisas que o fazem agigantar-se em segundos mesmo depois das tempestades. É um amor que não precisa de muito. Está lá. Na sua mais pura forma, em todo o seu instinto, nos gestos, nas palavras, nos silêncios, nos beijinhos de boa noite e de bom dia, nos abraços.
É um amor insubstituível, único. Que não vê por fora, que não lhe interessa nada para além da alma.
É um amor sem descrição.
É um amor vibrante, histérico, exagerado. Que nos faz sorrir como nada, que nos aconchega e nos chega em absoluto.
Ser mãe é ser gigante em nós, chegar tão longe quanto podemos, conseguir o que nunca imaginaríamos conseguir, superarmos as nossas fraquezas e encontrarmos o nosso melhor neles. Nos filhos.
E sorrir, todos os dias, por eles.

Comentários

  1. Muitos parabéns pela sua linda família.
    Nós por aqui somos só o número mágico, 3 ou o eterno presépio!
    No entanto, achei lindas as frases finais e sinto que a minha filha me faz ser gigante todos os dias à 9 anos.
    ACC

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Que bom. Muito obrigada pelas suas palavras e é mesmo bom o que os filhos nos fazem sentir. Espero que dure para sempre. Um grande beijinho

      Eliminar

Publicar um comentário