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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

38 anos


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Tenho 38 anos. Hoje. Lá para as dez da noite. A minha expressão nem sempre corresponde à minha felicidade e isso às vezes chateia-me. Sou contida algumas vezes e outras solto gargalhadas sem nexo. Sei que tenho um bom sentido de humor embora tenha crescido a ouvir o contrário. Tenho mau feitio. Choro sem porquê e isso às vezes irrita as pessoas. Percebo. Mas a mim lava-me a alma. Tenho um bom coração e mil defeitos que o confundem. Tenho sensibilidade a mais se isso por acaso existir. Guardo dores tempo demais. Tenho muito amor às pessoas. Mas só aquelas que também me amam e isso demorou. Tenho rugas. 3 filhos. 1 marido incrível. Uma família que adoro. Tenho 38 anos e a idade começa cada vez mais a ter menos importância. Ainda assim uso filtros porque me fazem bem ao ego.

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