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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par
Ei-la. Pronta a sair porta fora assim que a chuva decidir que já chega. Espera-lhe um cesto daqueles que pedem flores e legumes e quicá um peixinho da praça. Uma cadeira para a Luísa, eu e o nosso rio nos encontrarmos mais vezes. Aproveitar os meses que nos restam em casa juntas, o tempo que passa acordada - que é cada vez maior - e os dias mais longos. Ainda quero ver como me oriento por aí porque uma coisa é saber andar de bicicleta e outra é saber andar na cidade. Mas tem tudo para correr bem. Vai ser bom para o corpo, para a mente e para os nossos dias. (Boa semana!)

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