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Apresentados

episódio 2 - no corredor

Atravessou o corredor a medo. Era isso ou acordar novamente a irmã. O corredor era tão escuro que lhe parecia impossível a uma criança. As tábuas faziam-se notar a cada passo e ela preferia atravessá-lo em pressa do que se demorar por ali. Deviam ser uns 4 metros que lhe pareciam 12. Respirava fundo e ia de olhos fechados como se isso a protegesse do medo. O medo era de nada. Só do escuro, do desconhecido, do caminho, de não saber o que estava do outro lado.  Mesmo já tendo passado ali com a luz do sol. Quando chegava era bom e era mau porque era obrigatório voltar. Já sabia que nada se passava e que era só um caminho e mesmo assim voava para chegar o mais depressa possível. No dia a seguir era igual. Todos os dias.O mesmo corredor escuro. Todos os dias a luz da manhã a fazer esquecer a noite. As manhãs serviam para lhe descansar a alma e se rir de si mesma. Tinha a certeza que à noite não haveria medos porque estava tudo ali, tudo o que era para existir, tudo o que fazia realmente par

10 dicas úteis para estes dias

Estamos todos a fazer o nosso melhor, por um bem comum. No fundo para termos a nossa liberdade de volta e tudo o que vem com ela. Alguns fazem - no em melhores condições e não podemos achar que estar em casa é simples para todos. Para alguns é estar sozinho, é não receber ordenado e os os cenários são muito diferentes, famílias numerosas, pais com filhos únicos, bebés recém nascidos, filhos adolescentes, Home School, no school, teletrabalho, pais que saem para trabalhar, filhos na creche. Há de tudo. Em todos os casos acho importante que se baixem os níveis de exigência no geral. Para connosco e também com os nossos.
Por isso aqui vai e com base na minha experiência e no que temos vivido cá em casa, as minhas 10 dicas úteis para sobreviver com sanidade a estes dias. Ordem aleatória. 

1. Priorizar
Há coisas que deixam de ser tão importantes. Não me cabe a mim dizer o quê mas entendam o que pode ficar para depois nas vossas rotinas. Se calhar não é preciso passar a ferro todos os dias nem aspirar todos os dias ou arrumar os armários todos em 5 horas. Temos tempo. 

2. Escolher guerras
Vamos ter que fechar os olhos a algumas coisas. Principalmente quando há filhos que brincam, desarrumam, espalham. Acho importante que eles percebam que todos têm que ajudar e que esta é uma altura para trabalhar em equipa mas às vezes mais vale apanhar o lego do chão e seguir caminho. E se for preciso falar sobre isso depois. 

3. Pedir ajuda. 
Estar fechado em casa implica que todas as tarefas sejam feitas por nós. Pedir ajuda nesta altura é subjectivo mas há empresas que cozinham para fora a preços acessíveis e ter um ou outro prato guardado no congelador pode significar uma folga. Caso o vosso orçamento vos permita fazer isto compensa mais do que encomendar Fast Food que só dá para uma refeição. 
Comprar online. As encomendas não estão fáceis mas na verdade se encomendarem para daqui a 15 dias nessa altura será menos uma em que terão que sair. 
Aproveitar os serviços online. Bancos. Lojas. O que precisarem. A maioria delas está a actuar com toda a segurança deixando encomendas e compras nos halls dos prédios. 
Caso possam liguem para as vossas mercearias. Há muitas a funcionar assim. Pedem o que precisam e eles preparam tudo. Depois é só pagar, pegar e levar. 

4. Somos pais. Não somos professores. 
A maioria de nós já não tem contacto com a matemática desde a faculdade. E já nem nos lembramos como é que se faz uma conta de dividir quanto mais ensinar aos nossos filhos no ambiente da casa. 
Falem com os professores para fazerem as coisas de modo autónomo. Em que não precisem constantemente dos pais para fazer fichas e trabalhos complicados. Não é suposto que os pais estejam presentes como um professor, nem suposto, nem possível. 

5. Organizar mas sem exagero
Organizar os dias é bom mas basta ter filhos para que rapidamente os nossos planos se alterem sem sabermos bem como. E isso pode causar stress. Na verdade só o que tem hora (aulas por exemplo) é que interessa cumprir, o resto se fugir ao esperado não é tão grave assim.

6. Simplificar 
Isto serve para tudo. Na cozinha, nas brincadeiras, na gestão da casa. 
Às vezes mais vale ver tranquilamente um filme na sala do que montar uma mega actividade à pressa e carregada de stress. Comer sandwiches (se tiverem pão fresco, por aqui não temos conseguido) do que sujar 10 panelas. 

7. Ouvir
São tempos confusos. As crianças estão confusas e às vezes arranjam maneiras esquisitas e irritantes de exteriorizar o que sentem. As birras, a histeria, a insolência às vezes, o silêncio fazem parte deles e nestas alturas pode estar mais à flor da pele. 
Perguntar como estão é tão simples como isso. Ir percebendo o que sentem, o que lhes faz falta, o que gostavam de fazer para melhorar e falar sobre nós e o que estamos a sentir para que se sintam também mais acompanhados. 

8. Estar sozinho 
Para quem sente necessidade de estar sozinho é importante criar espaço e tempo para o fazer. Seja para o que for. Ler, escrever, meditar, fazer ginástica, dormir, ver televisão, não fazer nada. A nossa sanidade está a ser posta à prova e por isso é importante fazermos o que for necessário para a manter. Se estar sozinho for uma necessidade então reclamem-na e permitam-na aos outros. 

9. Concretizar 
Há muitos projectos que ficam por concretizar no nosso dia a dia. Estar em casa não significa necessariamente ter mais tempo mas fazer as coisas a um ritmo diferente. Pendurar o quadro que está no chão há um mês, mudar mobília, iniciar um projecto fechado na gaveta, ajudar uma instituição que precise, começar a fazer exercício, ajuda a ver cumpridos objectivos e a sentirmo-nos concretizados. 

10. Desligar
Desligar tudo o que (vos) faz mal. Seja televisão, seja de páginas nas redes sociais que não nos inspiram ou que nos trazem sentimentos menos bons, seja das tecnologias. A informação e a contra informação podem tornar-se pesadas e ajudar à confusão. Protejam - se disso se notarem que não vos faz bem. 

Boa sorte para todos aí em casa e deixem aqui as vossas ideias para que estes dias corram melhor. 

Um beijinho 
Maria Ana 

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